VÍDEOS: Irã amanhece com novos ataques dos EUA e de Israel em zonas civis

Atualizado em 7 de abril de 2026 às 7:08
Sinagoga destruída por bombas dos EUA e de Israel. Foto: Majid Saeedi/Getty Images

Teerã voltou a ser atingida por bombardeios dos Estados Unidos e de Israel durante a madrugada desta terça-feira (7), em meio à intensificação da ofensiva contra o Irã e ao aumento do temor de uma escalada ainda mais ampla no conflito. Explosões foram registradas em diferentes pontos da capital iraniana, com relatos de ataques pesados nas proximidades do aeroporto de Mehrabad e também em cidades como Shiraz e Isfahan.

O novo ataque ocorre horas antes do fim do prazo dado por Donald Trump para que o Irã aceite um acordo com Washington. O ultimato do presidente dos Estados Unidos termina nesta terça-feira (7), às 21h no horário de Brasília, e elevou a pressão sobre Teerã em plena sexta semana de guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo a Al Jazeera, não há informações sobre vítimas, enquanto áreas residenciais e estruturas civis aparecem cada vez mais afetadas pela guerra.

Caso as negociações fracassem, Trump promete atacar pontes e usinas iranianas, o que já levou autoridades iranianas a tratar a ameaça como possível crime de guerra. Israel também emitiu alertas para que civis evitem ferrovias, aumentando o receio de que redes de transporte sejam os próximos alvos.

Em Teerã, moradores relataram a ativação de sistemas de defesa aérea após a nova rodada de ataques. “Ouvimos os sistemas de defesa aérea sendo acionados após a mais recente rodada de bombardeios”, diz um relato. “Há pouco, vimos um ataque atingir uma área perto do nosso escritório em Teerã, mas não temos informação específica sobre o alvo”.

Segundo esse mesmo relato, algumas informações apontam para um centro de pesquisas aeroespaciais, mas sem confirmação independente até o momento.

Ao mesmo tempo, autoridades iranianas passaram a advertir que haverá retaliação “devastadora” caso os bombardeios continuem. O cenário amplia o temor de novos danos à infraestrutura do país e de efeitos mais profundos sobre o abastecimento, a circulação de pessoas e a estabilidade regional.

Em publicação no domingo (5), Trump exigiu que o Irã reabra o Estreito de Ormuz e aceite um entendimento com os Estados Unidos. A passagem marítima é uma das mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo, e qualquer restrição em sua operação tem impacto imediato sobre o mercado internacional de energia.

Na mesma mensagem, o presidente elevou o tom com uma ameaça direta: “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”.

Ameaça de Trump no Truth Social. Foto: reprodução

Especialistas em direito internacional veem com preocupação a mira sobre estruturas civis. A professora assistente de direito penal internacional da Universidade de Amsterdã, Marieke de Hoon, afirmou à Al Jazeera que ataques de Estados Unidos e Israel contra a infraestrutura civil iraniana provavelmente configuram crimes de guerra.

“Pode haver uma exceção se esses alvos civis, como pontes e usinas de energia, oferecerem uma contribuição efetiva e uma vantagem militar”, disse. “Mas isso exige um patamar muito elevado”.

Ela também destacou o peso da retórica usada por Washington e Tel Aviv. “O que também é muito importante é a retórica que os Estados Unidos e Israel estão usando”, afirmou. Segundo a professora, a ameaça de bombardear o Irã “de volta à Idade da Pedra” sugere um ataque voltado também contra a população civil, o que “também se qualificaria como crime contra a humanidade”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.