
A Marquise do Parque Ibirapuera, reaberta ao público após quase seis anos de interdição, ficou completamente alagada durante o forte temporal que atingiu a cidade de São Paulo na tarde da última terça-feira (27). Imagens registradas no local mostram grande acúmulo de água sob a estrutura projetada por Oscar Niemeyer, com infiltrações que chegaram a invadir os banheiros do espaço.
A requalificação da Marquise custou quase R$ 87 milhões e foi executada pela concessionária Urbia, responsável pela gestão do parque. O espaço havia sido reaberto no último sábado (24), durante cerimônia com a presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB), na véspera do aniversário de 472 anos da capital paulista.
MARQUISE DO IBIRAPUERA: MAQUIAGEM DE PREFEITO NÃO SEGURA CHUVA! 🌧️🤡
É revoltante! O Prefeito foi lá fazer videozinho de entrega, mas bastaram 3 dias para a Marquise ficar completamente alagada.
Essa obra está parada há anos, marcada por editais irregulares e sobrepreços… pic.twitter.com/EoYHPzskcQ
— Luna (@lunazarattini) January 28, 2026
Em nota, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) informou que tomou conhecimento do alagamento e que “acionou a concessionária Urbia, responsável pela gestão do espaço, para a verificação do ocorrido e a adoção das medidas necessárias a fim de evitar novos incidentes, garantindo a preservação do patrimônio e a segurança dos frequentadores”.
A Urbia afirmou ao G1 que o problema não está relacionado à obra recém-concluída. Segundo a concessionária, “não há qualquer problema na obra ou na estrutura da Marquise do Parque Ibirapuera. O acúmulo de água registrado foi provocado pela chuva intensa concentrada em curto período e por limitações do sistema de drenagem no entorno do espaço”.
A empresa acrescentou que iniciará manutenção já nesta quarta-feira (28) e que atua de forma contínua para garantir a segurança dos visitantes.
O alagamento da Marquise do Ibirapuera logo após a reinauguração, depois de ter passado por uma reforma de R$87 milhões, lembra muito o alagamento do Pacaembu depois de privatizado. Nunca havia alagado antes, mas entrega nas mãos erradas que eles conseguem! pic.twitter.com/KYkevpppBT
— Nilto Tatto 🍀 O Ambientalista no Congresso 🇧🇷 (@NiltoTatto) January 28, 2026
O temporal provocou uma série de transtornos em diferentes regiões da cidade. Vias importantes, como a Rua da Consolação e a Avenida 23 de Maio, ficaram temporariamente bloqueadas. O Corpo de Bombeiros registrou, entre 14h e 18h28, 33 ocorrências de quedas de árvores, um desabamento e quatro enchentes na capital e na região metropolitana.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), toda a cidade entrou em estado de atenção para alagamentos entre 15h e 16h45. A Defesa Civil emitiu alerta às 15h16, informando que a chuva intensa se espalhava pelas zonas Sul, Oeste e Central.

A Enel informou que, no pico do temporal, mais de 80 mil imóveis ficaram sem energia elétrica na Grande São Paulo devido à queda de árvores sobre a rede. Às 18h30, o número havia caído para 69.057 clientes. Em nota, a concessionária afirmou que “mantém as equipes mobilizadas, com seu plano de contingência para o verão em andamento” e que atuava para atender cerca de 60 mil clientes, o que representa menos de 0,7% da base da distribuidora.
A Marquise do Ibirapuera foi inaugurada em 1954, junto com o parque, e possui cerca de 27 mil metros quadrados, conectando equipamentos culturais e áreas de lazer. Ao longo dos anos, acumulou problemas estruturais, como rachaduras e infiltrações. Em novembro de 2017, parte do revestimento do teto desabou, acelerando o processo de interdição total em 2020.
As obras de requalificação começaram apenas em 2024 e incluíram recuperação de piso, pilares, vigas, forro e sistema de iluminação. Na reabertura, o prefeito Ricardo Nunes comemorou a entrega do espaço. “Dia de alegria para nós, dia da gente poder fazer essa entrega importante desse patrimônio da cidade”, afirmou.