Violência pesa mais no voto para presidente do que para governador, diz pesquisa

Atualizado em 16 de agosto de 2026 às 7:54
Policial militar
Policial militar. Foto: Reprodução

A segurança pública deve influenciar o voto para presidente de 63,7% dos eleitores que se identificam com a direita bolsonarista, aponta pesquisa Ideia realizada em agosto. Entre eleitores de esquerda não lulista, o índice cai para 45,6%, enquanto a prioridade desse grupo recai sobre a escolha dos governadores. Com informações de O Globo.

No conjunto dos entrevistados, 45,7% disseram que a segurança será crucial para definir o voto presidencial, e 42,8% deram a mesma resposta sobre a eleição para governador. Os participantes podiam indicar mais de um cargo, e a relevância do tema para deputado federal e senador ficou cerca de metade desses percentuais.

A sensação de insegurança aparece nos dados sobre violência cotidiana. A possibilidade de sofrer um assalto à mão armada provoca “medo” ou “muito medo” em 66% dos entrevistados, e o roubo de celular gera essa reação em 63,9%.

Entre os eleitores bolsonaristas, 44,6% afirmaram que medidas de segurança pública pesarão no voto para governador, 19,1 pontos percentuais abaixo do índice registrado para a Presidência. O levantamento indica uma associação maior do tema com a disputa nacional nesse segmento.

Pesquisa sobre segurança pública.

Eleitores de esquerda concentram cobrança nos governadores

Na esquerda não lulista, 62,2% afirmaram que vão priorizar a segurança ao escolher o chefe do Executivo estadual. O percentual supera em 16,6 pontos a parcela que considera o assunto decisivo para a eleição presidencial.

A diretora-executiva do Ideia, Cila Schulman, avaliou que o eleitorado “parece atribuir a responsabilidade de forma difusa, com dúvidas sobre quem cobrar” na área de segurança. Para ela, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro conversam com públicos distintos ao abordar a violência.

“Flávio faz um apelo de endurecimento, de radicalizar no combate ao crime, que toca mais no eleitorado masculino, e Lula vem falando muito no combate à questão do feminicídio, que dialoga mais com as mulheres”, disse Schulman.

Quase 60% dos entrevistados que se declaram eleitores de Flávio Bolsonaro disseram que votarão para presidente pensando em propostas de segurança, enquanto 46% citaram o tema para governador. Os percentuais são menores entre os eleitores de Lula (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

O cientista político João Trajano Sento-Sé afirmou que os números podem refletir mais a linguagem usada pelos candidatos do que uma divisão clara das atribuições entre União e estados. “Como Flávio aposta em um discurso do medo da violência, seus eleitores tendem a citar mais isso como motivação para o voto”, disse.

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