Viradouro é campeã do Carnaval 2026 com homenagem ao Mestre Ciça

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 18:04
Mestre Ciça, destaque do enredo da Viradouro, marca presença no desfile na Sapucaí. Foto: Divulgação

A Unidos do Viradouro é a campeã do Carnaval 2026 do Rio de Janeiro. A escola de Niterói alcançou 270 pontos na apuração do Grupo Especial e garantiu o quarto título de sua história com o enredo “Pra cima, Ciça!”, dedicado a Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, de 69 anos, comandante da bateria.

Terceira a desfilar na segunda-feira (16), a agremiação apostou em uma narrativa biográfica para contar a trajetória do homenageado. A comissão de frente trouxe o próprio mestre em cena, em uma encenação marcada por estratégia e surpresa, que emocionou o público na Marquês de Sapucaí.

O desfile reconstruiu a infância de Moacyr, representado pelo menino Vitor Gabriel, e fez referência à Estácio de Sá, primeira escola pela qual passou. Em um dos momentos mais comentados da noite, Ciça surgiu entre os bailarinos, retirou o paletó e dividiu a pista com sua versão mirim.

A encenação incluiu ainda um grande apito cenográfico que se transformava nos arcos da Apoteose. Ao final do número, um elevador ergueu o mestre ao alto da estrutura. Em seguida, ele simulou um mal-estar, parte do roteiro, e deixou a Avenida para retornar à concentração e reassumir a bateria.

Mestre Ciça, destaque do enredo da Viradouro, marca presença no desfile na Sapucaí. Foto: Divulgação

Enquanto isso, o cortejo seguiu com novas homenagens. Uma alegoria reuniu mestres de bateria de diferentes escolas, além do casal Claudinho e Selminha, ligados à Beija-Flor. O carnavalesco Paulo Barros também participou do desfile e declarou: “Eu acho que posso morrer feliz”.

O ponto alto veio com a recriação da inovação de 2007, quando a bateria desfilou sobre um carro alegórico. Desta vez, Ciça subiu ao topo da estrutura de mãos dadas com Juliana Paes, que voltou ao posto de rainha de bateria após 18 anos. Um grande coração iluminado revelava a silhueta de uma caveira, apelido do mestre.

Durante a apresentação, o público acompanhou a paradinha em que os surdos imitavam batimentos cardíacos, enquanto ecoava o verso: “Se for para morrer, que seja do samba”. Ao fim, o próprio homenageado resumiu o momento: “Sou enredo no maior Carnaval do mundo. A emoção é triplicada, um momento único da minha vida”.

Na classificação final, Beija-Flor e Vila Isabel terminaram com 269,9 pontos, seguidas por Salgueiro, Imperatriz e Mangueira. A Viradouro já havia sido campeã em 1997, 2020 e 2024 e volta ao topo dois anos após o último título, consolidando sua posição entre as principais escolas do Carnaval carioca.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.