
A estreia de Virgínia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio na Marquês de Sapucaí foi marcada não apenas por intercorrências com a fantasia, mas também por uma estratégia comercial que chamou atenção no Carnaval. A influenciadora pagou para estampar o nome de sua empresa de cosméticos, a WePink, nos uniformes da equipe de apoio responsável por empurrar alegorias, garantindo exposição da marca durante a transmissão televisiva e nos registros oficiais do desfile. Antes da apresentação oficial, a marca também promoveu ativações na quadra da escola durante os ensaios técnicos.
A ação aproveitou uma brecha no regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que proíbe publicidade direta ou indireta no enredo, alegorias e fantasias, mas permite merchandising nas roupas dos empurradores. Com isso, a marca apareceu em diferentes momentos da apresentação da escola, inclusive nas costas dos uniformes dos carregadores dos carros alegóricos.

Aos 26 anos, Virginia assumiu o posto antes ocupado por Paolla Oliveira por cinco anos e tornou-se uma das figuras mais aguardadas do desfile. Segundo informações do colunista Matheus Baldi, da revista IstoÉ, não houve pagamento direto para ocupar o cargo, mas a construção de uma parceria entre a influenciadora e a agremiação. A colaboração incluiu ativações publicitárias e o lançamento de um perfume exclusivo da Grande Rio em parceria com a marca da influenciadora, apresentado ainda no período de ensaios.
Além da ação publicitária na avenida, a parceria inclui o lançamento de um perfume exclusivo da Grande Rio em colaboração com a linha VF, com vendas administradas pela própria escola.
O produto leva a assinatura da influenciadora, e o lucro é integralmente destinado à agremiação. Projeções internas indicam vendas entre 15 mil e 20 mil unidades por mês. Considerando preço médio de R$ 125 e margem de até 40%, o retorno anual pode variar entre R$ 9 milhões e R$ 12 milhões.
A presença de Virgínia também reforça a estratégia de marcas que buscam dialogar com o público jovem. Às vésperas do desfile, ela assinou contrato com a cerveja Itaipava, do Grupo Petrópolis, passando a integrar o time de influenciadores da empresa, que já inclui nomes como Nicole Bahls, Álvaro Xaro, Caio Afiune e Thaynara OG, além da embaixadora Ivete Sangalo.
Acho que ficou meio óbvio que a Virgínia ser a rainha de bateria da Grande Rio foi apenas uma ação gigantesca de marketing da marca dela, né? Nunca foi sobre o Carnaval.
Tiveram ativações da WePink na quadra da escola durante os ensaios, com lançamento de perfume da marca com a… pic.twitter.com/xjphFbjppg
— COBAT (@artcobat) February 18, 2026
A influenciadora, que já participou de campanhas publicitárias de plataformas de apostas online e foi convocada a depor na CPI das Bets, tornou-se alvo frequente de debates sobre publicidade digital e responsabilidade com consumidores.
Na avenida, porém, o momento mais comentado foi o problema com a fantasia. O tapa-sexo começou a descolar durante o desfile, e Virgínia precisou retirar o costeiro após relatar dor causada pelo peso estimado em 12 kg. Ela seguiu na apresentação com a roupa ajustada. Durante sua entrada e saída do Sambódromo, também houve reações do público presentes nas arquibancadas.