Virginia, Rafa Uccman e a falência moral dos influenciadores brasileiros. Por Nathalí

Atualizado em 3 de junho de 2026 às 15:46
Virginia Fonseca e Rafa Uccman – Foto: Reprodução/Instagram

Influenciadores: sempre eles. Uma raça alienada, inescrupulosa e, em certo ponto, esquizofrênica. Eles não vivem o mesmo Brasil que nós.

Dessa vez foi Rafa Uccman — ok, eu também jamais tinha ouvido falar dele — defendendo Virginia Fonseca, cancelada depois de postar uma foto beijando um macaco logo após o término com Vini Jr.

Se foi indireta ou não, pouco importa. No mínimo, ela sabia que o ex sofreria ainda mais racismo depois da publicação. Faz-se de burra, mas, no fundo, sabe muito bem o que faz. Aliás, eles sempre dão um jeito de serem racistas.

Digo e repito: influenciadores não deveriam existir.

Servem apenas para divulgar jogo do tigrinho e ostentar nas redes sociais, enquanto um bando de criaturas idiotizadas aplaude de longe a riqueza alheia, como se fortuna herdada ou construída sobre privilégios fosse mérito.

Virginia merece ser cancelada por diversos motivos, talvez incontáveis. Mas há sempre quem a defenda.

Imaginemos: e se todo esse poder de influência fosse usado, por exemplo, na luta pelo fim da escala 6×1?

Não foi. E provavelmente nunca será.

Gente como Rafa Uccman e Virginia têm um único deus: o dinheiro.

Nunca se engajaram em qualquer causa realmente útil. Pelo contrário: reforçam a terrível lógica neoliberal que planta na cabeça dos trabalhadores a ideia de que ser rico é apenas uma questão de esforço individual. Fazem-nos esquecer que a pobreza de muitos sustenta a riqueza de poucos — e, ainda assim, são aplaudidos.

Quantos influenciadores se posicionaram com firmeza pelo fim de uma escala desumana?

Corrijam-me se eu estiver errada, mas eu não vi nenhum.

Não usam seu poder para defender interesses coletivos porque isso pode custar seguidores, contratos e dinheiro.

E talvez esse seja o retrato mais triste da era dos influenciadores: milhões de pessoas os seguem acreditando estar diante de líderes, quando, na maioria das vezes, estão apenas diante de vendedores. Vendem produtos, vendem estilos de vida, vendem ilusões. Mas, quando chega a hora de defender algo que realmente importa para quem os sustenta, desaparecem atrás da própria conta bancária.

Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.