
O vírus Nipah é um patógeno zoonótico emergente pertencente ao gênero Henipavirus, capaz de ser transmitido de animais para humanos. Identificado pela primeira vez no fim da década de 1990, ele passou a ser acompanhado de perto por autoridades sanitárias internacionais devido ao seu alto potencial de letalidade e à possibilidade de transmissão entre pessoas, característica considerada incomum entre vírus desse grupo.
O principal reservatório natural do Nipah são morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. Esses animais podem carregar o vírus sem apresentar sintomas e contaminam o ambiente por meio de saliva, urina ou fezes.
Além deles, outros animais podem atuar como hospedeiros intermediários, especialmente os porcos, que tiveram papel central nos primeiros surtos registrados. A transmissão para humanos ocorre, sobretudo, pelo contato direto com animais infectados ou pelo consumo de alimentos contaminados.
Entre os exemplos documentados estão frutas mordiscadas por morcegos e a seiva de tamareira coletada de forma artesanal, prática comum em áreas rurais do sul e sudeste da Ásia. Nessas situações, o vírus pode permanecer viável e infectar quem consome o produto cru.
Um dos fatores que mais preocupam as autoridades de saúde é a transmissão entre humanos. O contágio pode acontecer por meio do contato próximo com secreções respiratórias, saliva ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 2001 e 2008, cerca de metade dos casos registrados em surtos em Bangladesh ocorreu dentro de hospitais, durante o atendimento a pacientes contaminados.

A doença associada ao Nipah apresenta taxas de letalidade elevadas, variando entre 45% e 75%, de acordo com dados da OMS. Em pessoas infectadas, o vírus pode causar desde quadros assintomáticos até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal, uma inflamação grave do cérebro que pode evoluir rapidamente.
Os primeiros surtos ocorreram na Malásia, em 1999, quando a infecção se espalhou por granjas de suínos e atingiu criadores de porcos, resultando em mais de 100 mortes. Posteriormente, o vírus passou a ser registrado com frequência em Bangladesh, onde há relatos quase anuais desde 2001.
Entre 2001 e 2024, foram confirmados 343 casos e 245 mortes no país. Na Índia, o primeiro surto foi identificado em 2001, no estado de Bengala Ocidental. Desde então, novos episódios passaram a ser registrados principalmente em Kerala.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde da Índia informou a identificação de dois novos casos na região, reforçando o status do Nipah como vírus prioritário para vigilância internacional.
Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da infecção, podem surgir tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos indicativos de encefalite aguda.
Alguns pacientes desenvolvem pneumonia atípica e insuficiência respiratória grave, com evolução rápida para convulsões e coma em casos mais severos. Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico aprovado contra o vírus Nipah. O manejo clínico baseia-se em suporte intensivo para controle das complicações respiratórias e neurológicas