Vistos em 2 semanas: o país europeu que busca brasileiros para trabalhar

Atualizado em 1 de abril de 2026 às 9:55
Bondes em Helsinque. Foto: Unsplash

A Finlândia quer atrair brasileiros para ajudar a preencher 140 mil vagas na área de tecnologia até 2035, em uma ofensiva que combina escassez de mão de obra, envelhecimento populacional e planos de expansão do setor de inovação no país. Hoje, os brasileiros que vivem em território finlandês somam apenas 2.611 pessoas, segundo o Ministério das Relações Exteriores, mas o governo local já trabalha para ampliar esse número com medidas como aceleração de vistos de trabalho e negociação de um acordo bilateral de previdência social com o Brasil.

Segundo a BBC, estratégia finlandesa se apoia em duas transformações centrais. A primeira é o crescimento do setor de tecnologia, impulsionado por startups ligadas a pesquisas universitárias e por empresas que buscam operar em um ambiente mais competitivo dentro da Europa.

A segunda é a perda de parte importante da mão de obra estrangeira vinda da Rússia e da Ucrânia, em razão da guerra que já dura quatro anos. Laura Lindemann, diretora do Work in Finland, órgão governamental voltado à atração de profissionais estrangeiros, explicou por que o Brasil entrou no radar.

“Avaliamos diferentes países sob a perspectiva das empresas finlandesas e da internacionalização — onde elas estão, para onde exportam ou querem exportar — e também onde há grande oferta de profissionais”, afirma Lindemann.

Segundo ela, o fato de a Finlândia já manter presença institucional no Brasil também pesou na escolha. “Também foi considerado o fato de a Finlândia já estar presente no país, com escritório da Business Finland, uma embaixada, ou seja, não é preciso começar tudo do zero. As conexões entre Finlândia e Brasil já existem”.

Aurora boreau na Finlândia. Foto: reprodução

Mas há um fator ainda mais decisivo: a necessidade de imigração para evitar o encolhimento populacional. “A Finlândia está envelhecendo, e não pode haver um gargalo para o crescimento do país por falta de talentos”, diz Lindemann.

“Estimamos que, nos próximos anos, 1 milhão de finlandeses vão se aposentar. É um número enorme para um país com pouco menos de 6 milhões de habitantes”, emendou.

Atualmente, há quase 800 vagas abertas, principalmente em áreas ligadas a deep tech, como inteligência artificial, computação quântica, semicondutores, microchips e tecnologia em saúde. O país também busca profissionais de matemática, física e química, além de pesquisadores com perfil voltado à inovação.

O inglês fluente é exigido em todas as posições, enquanto o finlandês e o sueco aparecem como diferenciais, mas não como exigência inicial. “Todas as áreas das ciências naturais são necessárias — matemática, física, química —, porque são importantes para o setor de deep tech, que concentra os novos negócios na Finlândia”, afirma a executiva.

O governo finlandês também tenta tornar a mudança atraente ao destacar condições de trabalho mais favoráveis do que as brasileiras. A jornada costuma ser de 37,5 horas semanais, há de 25 a 30 dias úteis de férias e a licença parental é mais extensa. Para Lindemann, o país pode oferecer qualidade de vida e, ao mesmo tempo, se beneficiar do perfil dos brasileiros.

“Um dos motivos pelos quais os brasileiros deveriam se mudar para a Finlândia é a alegria que poderiam trazer, somada à felicidade finlandesa”, diz Lindemann. “Também temos alegria, mas seria positivo ter esse tipo de atitude diante da vida que os brasileiros têm. Seria uma combinação perfeita”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.