
Uma mulher resolveu usar mensagens enviadas por golpistas que se passavam por advogados para tentar conquistar votos para o presidente Lula (PT). Em vez de cair na fraude, ela identificou a tentativa de golpe e aproveitou a conversa para abordar as preferências eleitorais dos criminosos. O episódio foi relatado pelo jornalista Ancelmo Gois, em sua coluna no jornal O Globo.
A mulher recebeu duas mensagens suspeitas ao longo de uma semana. Nos contatos, os remetentes fingiam ser advogados e alegavam ter novidades sobre processos judiciais. A abordagem é característica do golpe do falso advogado, no qual criminosos utilizam informações sobre ações na Justiça para enganar vítimas e tentar obter dinheiro ou dados pessoais.
Ao perceber a fraude, a destinatária avisou que o golpe já estava “manjado”. Mas, em vez de encerrar a conversa, decidiu aproveitar a oportunidade para fazer campanha eleitoral. Ela passou a questionar os falsos advogados sobre suas intenções de voto e tentou convencê-los a apoiar Lula no segundo turno.

As respostas foram diferentes. Um dos golpistas afirmou que votaria no número 13, utilizado pelo PT. O outro disse que já estava fechado com o 22, número do PL, partido de Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial.
A identidade dos remetentes não foi revelada, e não há como confirmar se as preferências eleitorais declaradas eram verdadeiras. O episódio chamou atenção pela reação inusitada da mulher, que transformou uma tentativa de golpe em uma conversa sobre a eleição presidencial.
O golpe do falso advogado costuma explorar informações de processos judiciais para dar credibilidade às mensagens. A recomendação para quem recebe esse tipo de contato é não realizar pagamentos nem compartilhar dados pessoais antes de confirmar a autenticidade da comunicação diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo.