Vitimismo? Flávio Bolsonaro diz que Moraes atua por inelegibilidade de Eduardo

Atualizado em 9 de maio de 2026 às 10:14
Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou, na última sexta-feira (8), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de articular para tornar Eduardo Bolsonaro (PL) inelegível. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, dias depois de o ex-deputado confirmar que pretende disputar o Senado por São Paulo como suplente de André do Prado (PL), mesmo morando atualmente nos Estados Unidos.

Flávio afirmou que Moraes não deveria atuar em processos relacionados ao irmão, que vive em exílio autoimposto nos Estados Unidos. Segundo o senador, o ministro tenta inviabilizar politicamente a candidatura de Eduardo. “É óbvio que ele não poderia participar dessa articulação, e aí pretende articular para deixar Eduardo inelegível. Isso faz mal para a democracia brasileira”, disse.

A eventual candidatura de Eduardo como suplente enfrenta riscos jurídicos. O ex-deputado teve o mandato cassado por excesso de faltas na Câmara e responde a um processo no STF, relatado por Moraes, no qual é acusado de coação no curso do processo da trama golpista. No caso, Jair Bolsonaro (PL) foi condenado.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Eduardo atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no andamento da ação contra o pai.

A acusação afirma que ele buscou apoio do governo estadunidense para impor medidas como sanções e tarifas ao Brasil em reação ao julgamento. Flávio disse que o Supremo precisa “voltar a respeitar a Constituição” e criticou a atuação de Moraes em casos envolvendo aliados de Bolsonaro.

Lei da Dosimetria e Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Na mesma entrevista, Flávio também tratou da agenda eleitoral em Santa Catarina. Pré-candidato à Presidência da República, ele irá a Florianópolis neste sábado (9) para participar do lançamento da pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo PL.

O senador negou que haja um racha no partido no estado e afirmou que a chapa está definida com Jorginho Mello na disputa pela reeleição ao governo, além de Carluxo e da deputada federal Carolina de Toni como pré-candidatos ao Senado.

“Aqui não teve divisão nenhuma. Desde o início, a nossa chapa estava muito bem definida com Jorginho Mello ao governo, Carlos Bolsonaro e Carolina de Toni ao Senado. Estamos tomando conta de cada palanque com muito cuidado, conversando com as lideranças não apenas do PL nos estados e dos aliados”, afirmou.

A movimentação de Carlos, porém, provocou atritos na direita catarinense. O ex-vereador do Rio de Janeiro transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina para disputar o Senado, decisão que irritou lideranças locais. A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) esteve entre os nomes que reagiram à articulação.

A chegada de Carluxo também alterou a composição planejada no estado. O senador Esperidião Amin (PP), que poderia concorrer com apoio bolsonarista, acabou fora da aliança após a imposição do nome da família Bolsonaro.

Nesta semana, integrantes do PL-SC afirmaram que Carlos pediu desculpas a Campagnolo pelas trocas de ataques dos últimos meses e defendeu união contra a esquerda. A deputada deve participar do evento de sábado, segundo sua equipe.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.