
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos impôs uma derrota ao presidente Donald Trump e deu à oposição o controle do Congresso para os dois últimos anos de governo. O resultado abre caminho para barrar projetos da Casa Branca, rever políticas econômicas e ampliar investigações sobre a administração republicana.
O avanço ocorreu em meio à insatisfação de eleitores com o custo de vida, a guerra no Irã e as medidas econômicas adotadas pelo governo. Desde 1936, o partido do presidente perdeu espaço no Congresso em 20 das 22 eleições de meio de mandato estadunideses.
Na Câmara, os democratas passarão a comandar as comissões parlamentares, com poder para convocar autoridades, requisitar documentos e abrir apurações. Possíveis conflitos de interesse envolvendo a família Trump, contratos públicos e a atuação de integrantes do governo estão entre os temas que podem entrar na mira.
Os arquivos ligados ao financista Jeffrey Epstein também devem permanecer sob pressão. O Departamento de Justiça divulgou cerca de 3,5 milhões de páginas sobre o caso, mas democratas cobram esclarecimentos sobre documentos ainda não publicados, trechos ocultados e a exposição de nomes de vítimas.
Uma ala democrata defende um terceiro processo de impeachment contra Trump, e mais de 70 parlamentares pediram o afastamento do presidente ou a aplicação da 25ª Emenda. A Câmara pode aprovar o processo por maioria simples, mas a destituição exige 67 votos no Senado; a oposição também pretende votar aumento do salário mínimo, licença médica remunerada, licença familiar e férias remuneradas.

Agenda democrata inclui saúde, tarifas e guerra no Irã
O líder democrata Hakeem Jeffries, cotado para presidir a Câmara, prepara uma ofensiva para as primeiras 100 horas da nova legislatura. O plano inclui restabelecer subsídios a planos de saúde, reverter cortes de quase US$ 1 trilhão no Medicaid, encerrar tarifas comerciais impostas por Trump e exigir autorização do Congresso para a continuidade da guerra no Irã.
Mesmo com maioria nas duas Casas, os democratas enfrentarão limites institucionais. No Senado, grande parte dos projetos exige 60 votos para superar a obstrução parlamentar, enquanto a derrubada de um veto presidencial requer dois terços dos votos na Câmara e no Senado. A nova maioria também poderá atrasar ou bloquear indicações de ministros, embaixadores, juízes federais e nomes para a Suprema Corte.
A guerra no Irã deve concentrar parte da disputa com a Casa Branca. Cerca de 63% dos estadunideses rejeitam o conflito, conforme a média de pesquisas citada durante a campanha, e parlamentares democratas discutem negar novos recursos para as operações. “O primeiro objetivo é pôr fim a esta guerra”, disse Schatz, ao afirmar que ela custa caro e não torna o país mais seguro.