“Vitória do multilateralismo”: Lula festeja o acordo UE-Mercosul

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 15:09
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e Lula. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, trocaram mensagens públicas no X, em razão da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia realizada no Paraguai, neste sábado (17). Embora não tenha participado da cerimônia na capital paraguaia de Assunção, Lula foi citado por líderes sul-americanos e europeus como peça central para a conclusão do tratado.

Em publicação, Lula agradeceu a Ursula von der Leyen e classificou o acordo como um avanço histórico. “O Acordo representa a vitória do multilateralismo e trará benefícios para as populações dos países do Mercosul e da União Europeia”, escreveu o presidente brasileiro. Segundo ele, o tratado fortalece o diálogo entre os blocos e cria oportunidades de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.

A presidente da Comissão Europeia destacou, também em postagem mais cedo, no X, o papel direto de Lula na negociação. “Sua liderança e compromisso tornaram possível o acordo entre a União Europeia e o Mercosul”, afirmou von der Leyen. Ela acrescentou que “entre a Europa e o Brasil, o melhor ainda está por vir” e defendeu um modelo de cooperação baseado em “confiança, comércio e trabalho conjunto”.

As manifestações ocorreram no mesmo dia em que o acordo foi formalmente assinado por representantes dos países dos dois blocos, encerrando mais de 25 anos de negociações. Durante a cerimônia, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, também atribuiu a Lula um papel decisivo no processo. “Sem ele, esse acordo não seria possível”, afirmou o líder paraguaio ao discursar em Assunção.

O tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo países que somam mais de 700 milhões de habitantes. O objetivo é ampliar o intercâmbio comercial, reduzir barreiras tarifárias e estimular investimentos entre a América do Sul e a Europa.

O acordo prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas de importação, com prazos que podem chegar a 15 anos, conforme o setor. Estão incluídos 91% dos produtos importados pelo Brasil da União Europeia e 95% dos bens europeus adquiridos pelos países do Mercosul.

Para o Brasil, analistas apontam a possibilidade de queda nos preços de itens importados como vinhos, azeites, queijos, medicamentos, veículos e insumos agrícolas. Também é esperada maior competitividade para exportações brasileiras, especialmente do agronegócio e da indústria de calçados, com acesso facilitado ao mercado europeu.

Apesar da assinatura, o acordo ainda depende de ratificação pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos. O processo pode enfrentar resistências, sobretudo em setores agrícolas de alguns países europeus, que pressionaram pela inclusão de salvaguardas para proteger a produção local.

Lindiane Seno
Lindiane é advogada, redatora e produtora de lives no DCM TV.