
Sandra Miessa, viúva desde 2022 do empresário João Carlos Di Genio, afirma que enfrenta acusações infundadas de maus-tratos por parte da família do marido. O empresário, que deixou um patrimônio listado em R$ 16 bilhões, teve o corpo exumado para realização de exame de DNA solicitado por Bruno Augusto de Mello Pará, que alegava ser filho de Di Genio. “O processo de exumação é a coisa mais horrorosa que existe. Cada osso vai para um laboratório. Eu e meus filhos ficamos em estado de choque”, disse Sandra em entrevista à Folha de S. Paulo.
O exame de DNA resultou negativo, mas Bruno ainda alega ser filho socioafetivo do empresário, que custeava despesas, viagens e estudos do rapaz. Sandra, que comanda o conglomerado que inclui a Unip, o Colégio Objetivo, fazendas, imóveis, rádio e TV, contesta as alegações de negligência. “Você acha que, com adolescentes grandes em casa, ninguém ia ver que o pai não estava comendo? Que não estava sendo bem cuidado? Gente, pelo amor de Deus!”, afirmou.
O sobrinho de Di Genio, Fernando Di Genio Barbosa, tentou entrar no inventário logo após a morte do tio, mas foi afastado da administração dos negócios pela viúva e derrotado na Justiça. Os pais dele, Ana Ida e Oswaldo Barbosa, apresentaram denúncia ao Ministério Público acusando Sandra de isolamento e maus-tratos, mas a ação foi considerada prescrita. “Fernando entrou na Justiça contra mim entre maio e junho de 2022, para me descredibilizar, dizer que eu não poderia gerir nada, que eu era uma reles secretária”, relatou Sandra.

A viúva detalhou a rotina de cuidados com o marido e a família, afirmando que sempre esteve ao lado de Di Genio. “Eu cuidava dele o tempo todo. Dava os remédios de hipertensão, estômago, tireoide, tirava a pressão dele. Quando nossos filhos nasceram, eram cinco enfermeiras”, explicou. Ela também comentou a adoção de medidas de prevenção durante a pandemia de Covid-19, controlando visitas e mantendo protocolos sanitários rigorosos na residência.
Sobre o relacionamento com Bruno, Sandra disse que tentou evitar a exumação e preferia que o exame fosse feito com amostras de seus filhos ou de familiares próximos. “Eu queria evitar a exumação. Queria que ele fizesse o exame com meus filhos, minha cunhada. Mas ele queria ganhar tempo porque já estava negociando as cotas [da herança de Di Genio]”, afirmou. A viúva ressaltou que Di Genio nunca deixaria de assumir um filho biológico e que a disputa atual está relacionada ao interesse financeiro.
Sandra atribui as acusações de maus-tratos a interesses econômicos da família de Di Genio. “Ah, por dinheiro. Ué, o que eu vou fazer?”, questionou. Ela afirma que assumiu a gestão do conglomerado e manteve a administração conforme a vontade do marido, com foco na continuidade dos negócios e no bem-estar dos filhos. “Abri quatro cursos de medicina, fui tocando o que o meu marido deixou, a Unip, o Objetivo, as fazendas, e defendendo o que é dos nossos filhos”, concluiu.