
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou de “desgraça” a jornalista Norah O’Donnell durante uma entrevista no programa 60 Minutes neste domingo (26), após ser questionado sobre alegações contidas no manifesto do atirador que abriu fogo no jantar dos correspondentes da Casa Branca.
Durante a entrevista, O’Donnell pediu a Trump uma reação às declarações atribuídas ao suspeito no manifesto, incluindo menções ao próprio presidente.
A pergunta provocou uma reação destemperada. “Eu estava esperando você ler isso, porque sabia que faria isso — vocês são pessoas horríveis… Sim, ele escreveu isso. Eu não sou um estuprador. Não estuprei ninguém”, afirmou Trump.
O’DONNELL: In his manifesto, he wrote that ‘I’m no longer willing to permit a pedophile, rapist, and traitor to coat my hands with his crimes.’ What’s your reaction?
TRUMP: I was waiting for you to read that because I knew you would because you’re horrible people. I’m not a… pic.twitter.com/zaZhcRwbWJ
— Aaron Rupar (@atrupar) April 26, 2026
Na sequência, o presidente criticou duramente a jornalista por mencionar o conteúdo. “Você está lendo esse lixo de uma pessoa doente? Fui associado a coisas que não têm nada a ver comigo. Fui totalmente inocentado”, afirmou. Em seguida, tentou inverter a acusação. “Seus amigos do outro lado é que estavam envolvidos com, digamos, Epstein ou outras coisas”, falou, sem apresentar detalhes ou evidências.
Na verdade, em maio de 2023, um júri de Nova York condenou por abusar sexualmente da jornalista e escritora E. Jean Carroll e difamá-la, concedendo-lhe uma indenização de US$ 5 milhões. Posteriormente, um segundo júri concedeu a Carroll US$ 83,3 milhões devido às calúnias de Trump sobre ela.
Em 2025, um tribunal federal de apelações manteve essa sentença mais alta, rejeitando os argumentos de Trump de que a imunidade presidencial o protegeria de ser responsabilizado. E. Jean Carroll acusou Trump de tê-la estuprado em uma loja de departamento de Manhattan em meados da década de 1990. Trump negou a acusação e atacou publicamente Carroll depois que ela se tornou pública com a história em 2019.
Trump acrescentou que leu o manifesto e classificou o autor como “doente”, mas insistiu que a jornalista não deveria ter trazido o assunto à tona. “Você deveria se envergonhar por ler isso. Eu não sou nada disso”, declarou. Mesmo após O’Donnell esclarecer que apenas citava as palavras do atirador, ele manteve o tom de ataque. “Você não deveria estar lendo isso no 60 Minutes. Você é uma desgraça. Mas vá em frente, vamos terminar a entrevista.”
Grupos de defesa da liberdade de imprensa já criticaram repetidamente Trump por ataques verbais a jornalistas mulheres. Um deles aponta que essas atitudes revelam “um padrão inequívoco de hostilidade — frequentemente direcionado a mulheres — que enfraquece o papel essencial de uma imprensa livre e independente”.