Volta, Pereio! (e não é que ele voltou?)

A conta fake dele foi a melhor coisa do Twitter nos últimos tempos. Precisava acabar?

 

O homem, o mito
O homem, o mito

 

O melhor acontecimento no Twitter nacional no ano passado foi o surgimento do @Pereio1. Divertido, agressivo, polêmico, cafajeste. Só podia ser dele, o ator gaúcho Paulo Cesar Pereio, mito do cinema nacional, sobrevivente da vida bandida aos 72 anos e provavelmente o sujeito que mais utilizou a palavra “porra” em todos os tempos.

Pois era, na verdade, um fake. O roteirista Fernando Marés (@roteirodecinema) ligou para o ator, que estava em Parati, no começo do ano. Pereio, conta Marés, teria dito que “qualquer pessoa escreve qualquer coisa na internet e fala que sou eu, não sou eu não”. Segundo Pereio, a conta foi criada por seu irmão Pingo para a campanha a vereador. “Não sei quem tinha o código, eu nem tenho esse código”.

A campanha foi para a vereança de São Paulo, pelo PSB. Ele teve mirrados 1 483 votos. Pingo morreu no início de dezembro. O Twitter continuou sendo atualizando depois de sua morte. De acordo com Marés, quem sabe a identidade do tuiteiro é o jornalista Palmério Dória ou o ator José de Abreu, amigos do ator, com os quais o impostor trocou vários tuítes. Abreu chegou a dizer que se tratava de um falsário logo no começo. Depois embarcou na piada.

Provavelmente o cancelamento foi ideia do próprio Pereio, preocupado com as encrencas que o falsário estava causando. Suas brigas com o roqueiro Roger, do Ultraje a Rigor, eram épicas. O fake desenterrou a foto catastrófica que Roger fez para a revista G Magazine, nu, e postou diversas vezes. Ele era francamente governista (o que não combinava com declarações recentes do ator). A coisa ficou mais pesada quando, numa discussão, escreveu que o dono da conta @ElCapeto foi acusado de pedofilia.

Não que Paulo Cesar Pereio não esteja acostumado a viver perigosamente e a responder processos. Ele já foi preso a pedido da ex-mulher, a atriz Cissa Guimarães, por não pagar pensão, sofreu um acidente grave de carro e foi demitido algumas vezes de filmes, peças e novelas. “Parei com as drogas e estou vivo hoje porque comecei a ter covardia”, disse. No ano passado estrelou um documentário sobre sua vida chamado “Pereio eu te odeio”.

Paulo Cesar Pereio leu um texto na revista Alfa, que eu dirigia, para a edição em iPad. Foi extremamente cordato e profissional. Estava num dia bom. Jogou sinuca num boteco do Baixo Augusta com um dos repórteres. Seu vozeirão não decepcionou. Continua um clássico absoluto.

Uma pena que a voz no Twitter tenha se calado. Fake ou não, Pereio é sempre bom.

UPDATE

E não é que ele voltou? A explicação: “Recuperada senha roubada por hackers curitibanos. Já tinha sido roubado por bancos, colegas, parentes. Faltavam os hackers. Não falta mais”.

 

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