Vorcaro admite à PF crise de liquidez no Master e uso do FGC como base do negócio

Atualizado em 23 de janeiro de 2026 às 14:28
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

O banqueiro Daniel Vorcaro admitiu à Polícia Federal que o Banco Master enfrentava problemas de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Créditos como base do seu modelo de negócios. As declarações constam em depoimento prestado no fim de 2025 obtido pelo Blog da Andréia Sadi no g1.

Segundo Vorcaro, havia uma “crise” e forte “pressão de liquidez” no banco, embora ele tenha atribuído parte das dificuldades a mudanças regulatórias e ao ambiente do mercado financeiro. O banqueiro afirmou que relatórios do Banco Central do Brasil indicaram que a situação se agravou diante de novas exigências impostas ao setor.

No depoimento, Vorcaro sustentou que o plano de negócios do Master era “100% baseado no FGC” e que esse modelo não seria irregular. De acordo com ele, o problema surgiu quando as regras do sistema foram alteradas após o crescimento da instituição, o que teria afetado diretamente a sustentabilidade do banco.

O dono do Master relatou ainda que a cessão de ativos se tornou a principal forma de captação da instituição até o anúncio da venda do banco ao Banco de Brasília. Segundo ele, depois da divulgação da operação, as fontes de captação foram “completamente fechadas”, agravando a situação financeira.

Fachada do Banco Master. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

Vorcaro afirmou que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas reduziu o volume para preservar liquidez, especialmente após uma comunicação do Banco Central feita em novembro de 2024.

Ele disse que o modelo passou a depender de forma agressiva da cessão de ativos, do suporte do FGC, do crédito consignado, da emissão de CCBs e do uso de originadores terceirizados. O banqueiro também declarou à PF que aportou cerca de R$ 6 bilhões de recursos próprios para sustentar o banco durante a crise.

Com a liquidação da instituição, o Fundo Garantidor de Créditos passou a ressarcir correntistas e investidores em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Desde o dia 19, cerca de 600 mil credores do Banco Master já solicitaram o reembolso.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.