
Uma degustação de uísque organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Nova Iorque, em 2024, é citada pela Polícia Federal como um dos momentos em que o empresário teria se aproximado de políticos para obter repasses ao Banco Master.
O evento aconteceu no The Carnegie Club, próximo ao Central Park, e contou com a presença de figuras como o então governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), além do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Marcos Pereira (Republicanos-SP).
Apesar de relatos confirmarem a presença de Pereira, o presidente do Republicanos negou participação. “Nem gosto de uísque. Fui convidado pelo Ciro, mas não fui. Isso é coisa de gente que está contra mim”, disse ele ao Radar. Dois participantes confirmaram que o convescote ocorreu no fim da tarde e foi breve, pois alguns convidados não estavam com as esposas e tinham hora para retornar.
A mensagem enviada por Vorcaro para Castro citava apenas dez convites, mas o número de presentes acabou sendo maior. Segundo a PF, o evento custou mais de 1 milhão de dólares e reuniu um pequeno grupo de homens. O encontro, segundo um participante, ocorreu de forma republicana, sem indícios de negociações ou situações indevidas.

“Esse tipo de convescote costuma acontecer nas viagens que fazemos. Nem sempre somos convidados. Muitas vezes vamos um a reboque dos outros”, afirmou a fonte, destacando a rotina social desses eventos. A degustação está agora no centro de apurações sobre supostos repasses financeiros do Rioprevidência ao Banco Master.
A Polícia Federal avalia as interações entre Vorcaro e os convidados como parte da investigação sobre possíveis irregularidades financeiras e proximidade entre políticos e o banqueiro. Castro, apontado como operador desses repasses, foi mencionado nas mensagens do evento.
Outros participantes confirmaram que a degustação teve caráter social e que não houve discussões sobre negócios ou repasses durante o evento, mas a PF mantém o registro como elemento de análise do contexto das relações entre Vorcaro e autoridades políticas.