Vorcaro diz à PF que discutiu venda do Master ao BRB com Ibaneis Rocha

Atualizado em 23 de janeiro de 2026 às 6:52
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal (PF) que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e relatou que o governador já esteve pessoalmente em sua casa, conforme informações de Fausto Macedo, no Estadão. Trata-se da primeira citação direta a um político nas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações foram prestadas em 30 de dezembro, no âmbito do inquérito que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo a operação de venda do Master ao banco estatal do DF, proposta em março do ano passado e vetada pelo Banco Central em setembro. Embora citado, Ibaneis não é investigado no inquérito.

No depoimento, a delegada da PF Janaína Palazzo questionou diretamente Vorcaro se ele havia tratado com o governador sobre a proposta de aquisição. O banqueiro respondeu que sim e afirmou que o tema foi discutido em encontros institucionais, com a presença de outras pessoas.

Questionado se Ibaneis já havia ido à sua residência, Vorcaro confirmou a visita e disse que também esteve na casa do governador. Ele não detalhou o teor das conversas.

Procurado, Ibaneis negou ter tratado do assunto com Vorcaro e afirmou que esteve apenas uma vez na casa do empresário, a convite para um almoço. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando o conheci. Entrei mudo e saí calado”, disse ao Estadão.

Outras menções a Ibaneis

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento no mesmo dia que o governador foi informado sobre o andamento das operações financeiras do banco estatal com o Master. À época, Ibaneis chegou a estimar que a compra elevaria a distribuição de dividendos do BRB para R$ 1 bilhão por ano aos cofres do DF.

Inicialmente, o governo tentou avançar com o negócio sem autorização da Câmara Legislativa do DF, mas foi obrigado pela Justiça a buscar o aval dos deputados distritais. Após a liquidação, passou a estudar aportes no BRB para cobrir prejuízos relacionados à compra de créditos considerados problemáticos.

O rombo do BRB é estimado em R$ 4 bilhões. A PF e o Ministério Público Federal apontam indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao banco estatal.

Justiça barra compra do Banco Master pelo BRB até aval de acionistas e de deputados do
Fachada do Banco Master e do Banco Regional de Brasília (BRB). Foto: Reprodução

Mudança de tom ao longo do ano

As declarações de Ibaneis e da vice-governadora Celina Leão mudaram conforme o avanço do caso. Em março, quando a oferta foi anunciada, o governador classificou o momento como um “dia de festa”. Em abril, disse que a operação tinha pouco risco e que era “importantíssimo” envolver o setor privado.

Após o veto do Banco Central, Ibaneis adotou um discurso mais cauteloso. “Se for inviável, nós vamos parar e vamos realmente trabalhar outras oportunidades para que o Banco de Brasília possa avançar e continue crescendo”, afirmou em evento nos Estados Unidos.

Depois da liquidação do Master, em novembro, Celina Leão declarou que o próprio governador determinou a troca do presidente do BRB após a PF revelar suspeitas de fraudes bilionárias.

“Nós não temos compromisso com erro. Então o próprio governador Ibaneis fez hoje a troca, já indicou um outro nome, e aquilo que tiver que ser apurado será apurado”, disse.