Vorcaro financiou mais de 90% do orçamento de “Dark Horse”

Atualizado em 19 de maio de 2026 às 15:25
O pôster do filme de Bolsonaro, “Dark Horse”

O banqueiro Daniel Vorcaro foi responsável por mais de 90% da verba que viabilizou o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A produtora GoUp, comandada por Karina Ferreira da Gama, afirmou que o orçamento já realizado do longa está em cerca de US$ 13 milhões, com recursos adicionais ainda necessários para a finalização da pós-produção, incluindo efeitos especiais e sonorização. Segundo ela, após a prisão de Vorcaro, a equipe precisou buscar novos investidores para viabilizar o projeto.

“Quando ele [Vorcaro] foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas. ‘Gente, vamos ver onde a gente ajuda, quem pode apoiar’. Nossa vida todo dia era falar com pessoas da iniciativa privada que pudessem apoiar o nosso projeto”, afirmou.

Ela destacou que o banqueiro atuou como intermediador, e não como investidor direto, sendo procurado por Flávio Bolsonaro em 2024, quando ainda “não havia nenhuma informação contra Vorcaro”. A produtora esclareceu que não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele.

Todos os fundos chegaram via Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal aponta que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o longa, cujas filmagens ocorreram integralmente no Brasil, com a última gravação em 8 de dezembro de 2025, 21 dias após a primeira prisão de Vorcaro.

Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Eduardo Bolsonaro. Foto: Divulgação

Além de Dark Horse, outra empresa da GoUp, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para produzir a série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, que contaria a trajetória de figuras históricas como José de Anchieta e Dom Pedro I.

As emendas foram enviadas por parlamentares: Marcos Pollon (PL-MS), R$ 1 milhão; Bia Kicis (PL-DF), R$ 150 mil; Alexandre Ramagem, R$ 500 mil; e Carla Zambelli, R$ 750 mil. Segundo Karina, o projeto não saiu do papel porque a emenda de Zambelli foi bloqueada por decisão do ministro Flávio Dino, inviabilizando a execução da obra.

A produtora reforçou que o bloqueio das emendas prejudicou a continuidade da série, que ainda está sob investigação preliminar aberta por Flávio Dino. A apuração busca detalhar a legalidade do repasse de recursos e a execução dos projetos vinculados às emendas parlamentares.

Karina enfatizou que todo o esforço da equipe foi direcionado para manter o cronograma do filme, com a busca diária por apoio de investidores da iniciativa privada para cobrir custos de produção e salários da equipe. Ela afirmou que, apesar do impacto da prisão de Vorcaro, o projeto seguiu adiante graças à mobilização do setor privado.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.