Vorcaro mandava funcionários assinarem documentos comprometedores, dizem aliados

Atualizado em 30 de dezembro de 2025 às 13:46
Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo

Aliados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelaram que o banqueiro tomava precauções para evitar a assinatura de documentos comprometedores. Ele delegava a tarefa de assinar papéis relacionados a empresas de fachada, utilizadas para captar até R$ 12 bilhões no mercado, a subordinados e pessoas de confiança.

Segundo a coluna Painel na Folha de S.Paulo, essa estratégia visava proteger Vorcaro de uma possível implicação direta em fraudes, mas seus aliados acreditam que, apesar disso, ele não escapará das acusações, uma vez que outras provas, como conversas e mensagens telefônicas, indicam sua liderança nas ações fraudulentas.

O papel exato de Vorcaro nas supostas fraudes será questionado durante seu depoimento no processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para a terça (30). Caso o banqueiro alegue que não teve participação direta, baseando-se no fato de que não assinava os documentos comprometedores, ele poderá ser confrontado pela Polícia Federal, que tem outras evidências contra ele.

Vorcaro chegou no Supremo pela manhã e entrou na garagem após desembarcar de voo comercial. A Polícia Federal dará início às oitivas com o banqueiro e, na sequência, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.

Banco Master. Foto: Divulgação

As declarações dos envolvidos serão analisadas, e caso haja divergências significativas, a delegada responsável pelo caso poderá solicitar uma acareação. Todo o processo será acompanhado por um juiz auxiliar do ministro Dias Toffoli e um representante do Ministério Público.

As investigações tiveram início em 2024, quando a Justiça Federal começou a apurar as condições do Banco Master, que, segundo a Polícia Federal, não teria recursos suficientes para honrar seus compromissos financeiros com vencimento em 2025. A crise financeira do banco está no centro das investigações, que envolvem fraudes bancárias e captação ilegal de recursos.

A negociação para a venda do Banco Master ao Banco de Brasília foi outro ponto controverso. Vorcaro e Costa participaram das negociações, mas a venda foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, que recomendou a liquidação do banco. A decisão foi ratificada pela diretoria colegiada do Banco Central, que aprovou a liquidação por unanimidade.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.