
Preso em uma penitenciária federal em Brasília, o empresário Daniel Vorcaro passou por avaliação psicológica para verificar seu estado mental após um dos investigados no caso ter sido encontrado morto sob custódia. A medida foi adotada como parte de um protocolo de segurança reforçado dentro do sistema prisional.
Vorcaro chegou ao presídio no dia 6 de março e, nos primeiros dias, permaneceu dormindo com a luz acesa, segundo Natália Portinari, no UOL. A decisão, segundo agentes penitenciários, tinha como objetivo permitir monitoramento constante por câmeras e reduzir riscos à sua integridade.
A vigilância foi intensificada após a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante de um grupo ligado ao banqueiro.
De acordo com informações de Josmar Jozino, também do UOL, a intensificação do monitoramento no presídio inclui revistas íntimas nos detentos, contando com análise minunciosa no prepúcio, pele que cobre a cabeça do pênis. Esses procedimentos rígidos acontecem diariamente.
Durante as revistas, que acontecem com o presidiários nus, os agentes checam regiões como axilas, virilhas e sola dos pés para garantia de que nada está sendo escondido. Esse método é comum em presídios federais, como o de Brasília, Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR).
Mourão, conhecido como “Sicário”, era suspeito de atuar em um núcleo responsável por monitorar adversários e planejar ações de intimidação. O episódio elevou o nível de alerta sobre outros presos relacionados ao caso. Após avaliação com psicóloga, Vorcaro foi autorizado a dormir com a luz apagada, embora continue isolado e com contato restrito, inclusive com advogados.

A defesa do empresário avalia que uma eventual delação premiada dependeria de sua transferência para outro estabelecimento prisional, já que as condições atuais dificultam a comunicação.
Mesmo com autorização do ministro André Mendonça para que conversas com advogados não sejam gravadas, o ambiente ainda limita a troca de informações e a realização de anotações durante os encontros.
Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve sua prisão, Vorcaro demonstrou insatisfação e decidiu alterar sua equipe de defesa. Deixou o caso o advogado Pierpaolo Bottini, sendo substituído por José Luis Oliveira Lima, que já atuou em acordos de colaboração premiada e participou de negociações na Operação Lava Jato.
A mudança é vista como um indicativo de que o empresário pretende avançar nas negociações com a Procuradoria-Geral da República e também com a Polícia Federal. Segundo apurações, Vorcaro estaria disposto a colaborar com informações sobre suspeitas de corrupção envolvendo autoridades que teriam facilitado o crescimento do Banco Master.
Mesmo assim, especialistas apontam que, caso seja considerado líder da organização criminosa investigada, o empresário poderá ter acesso limitado aos benefícios da delação, embora ainda possa obter redução de pena.