
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tem demonstrado irritação crescente com o presidente Lula após declarações públicas que o associam a fraudes bilionárias no sistema financeiro. Em conversas reservadas, ele disse que as falas do petista teriam agravado sua situação jurídica e política.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, a irritação ganhou força após um discurso de Lula em Maceió, no dia 23, quando afirmou que o povo pobre é sacrificado “enquanto que um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
Dias depois, na abertura do ano do Judiciário no Supremo Tribunal Federal, o presidente voltou ao tema ao dizer que seu governo combate “magnatas do crime”. Segundo interlocutores, Vorcaro se queixa do fato de ter conversado com figuras centrais do atual governo e, mesmo assim, ser alvo direto do presidente.
Ele costuma dizer que é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner (PT-BA), além da contratação de ex-ministros dos governos petistas para prestar consultoria ao banco.

Entre os nomes lembrados estão Guido Mantega, ex-ministro da Economia, e Ricardo Lewandowski, atual ministro da Justiça, cujos contratos já tiveram valores divulgados pela imprensa. Pessoas próximas ao banqueiro afirmam que ele poderia expor informações constrangedoras sobre essas relações.
De acordo com um desses interlocutores, Vorcaro poderia “arrastar o PT para o centro do escândalo” caso resolvesse divulgar detalhes adicionais. Ainda assim, ele tem evitado qualquer movimento formal de colaboração com as investigações e descarta, até o momento, um acordo de delação.
Em contraste, políticos do Centrão, com quem Vorcaro mantém relação próxima, vêm sendo poupados em suas conversas. Integrantes do governo avaliam que o banqueiro estaria enviando recados ao Planalto e apontam que informações sobre encontros fora da agenda oficial com Lula teriam chegado à imprensa por iniciativa dele.
Aliados do presidente afirmam que Lula prefere que todos os fatos sejam apurados e sustentam que não há envolvimento direto do petista com Vorcaro ou com o Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro. No mesmo dia, ele foi preso pela Polícia Federal, solto posteriormente e atualmente cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.