Vorcaro surta com decisão que o mantém preso, dá socos na parede e precisa de atendimento

Atualizado em 14 de março de 2026 às 9:12
Daniel Vorcaro na prisão. Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro precisou de atendimento médico no presídio federal de Brasília após reagir de forma exaltada à decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que formou maioria na última sexta-feira (13) para manter sua prisão preventiva. Segundo informações publicadas pelo jornalista Ricardo Noblat, o dono do Banco Master teria esmurrado a parede da cela, machucado as mãos e gritado nomes de políticos e autoridades com quem teria mantido “relações financeiras”.

De acordo com relatos de interlocutores do banqueiro, o episódio ocorreu logo depois de Vorcaro ser informado de que os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o entendimento pela manutenção da prisão.

O ministro Gilmar Mendes ainda não havia votado até aquele momento. A reação dentro da cela aumentou a tensão em torno do caso, que já vinha mobilizando o meio político e jurídico diante da possibilidade de uma colaboração premiada.

Ainda segundo pessoas próximas ao empresário, Vorcaro entrou em desespero ao perceber que a decisão do STF fechava, ao menos por ora, a principal chance de deixar a prisão. Durante o surto, ele teria mencionado em voz alta nomes de figuras públicas que, na avaliação dele, não estariam atuando para ajudá-lo a sair da cadeia. Os nomes citados não foram divulgados.

Daniel Vorcardo, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

No mesmo dia em que o Supremo confirmou a manutenção da prisão, Vorcaro também promoveu uma mudança em sua defesa. O advogado Pierpaolo Bottini deixou o caso alegando “motivos pessoais”, e a representação passou a ser feita por José Luis Oliveira Lima. A troca foi interpretada nos bastidores como um movimento que pode anteceder a abertura de negociações para um acordo de delação premiada.

Oliveira Lima tem histórico em casos de grande repercussão e conduziu delações premiadas como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. Também atuou na defesa do ex-ministro José Dirceu, no mensalão, e do general Braga Netto no processo sobre tentativa de golpe de Estado. Além disso, já havia trabalhado para o Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central.

Segundo informações da jornalista Mônica Bergamo, Vorcaro aguardava justamente a definição da Segunda Turma do STF para decidir se avançaria ou não em tratativas por uma delação. Com a maioria formada pela manutenção da prisão, a avaliação é que o banqueiro deve agora iniciar esse processo, num movimento que pode ampliar a crise em torno do caso e atingir também o campo político.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.