
O principal problema dos potenciais adversários de Flávio Bolsonaro na direita não parece mais ser apenas a fragmentação do campo conservador.
Os números mais recentes indicam outro fenômeno: a recuperação gradual do governo Lula está reduzindo o espaço para uma migração em massa do eleitorado bolsonarista para nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado ou Renan Santos.
Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Datafolha mostram uma mudança importante no cenário de segundo turno em apenas uma semana. O quadro que antes registrava empate técnico — Lula 45% x Flávio Bolsonaro 45% — agora aponta vantagem de quatro pontos para o petista: 47% contra 43%.

Entre os levantamentos considerados mais consistentes feitos no período, trata-se da menor diferença nominal registrada até aqui entre Lula e um candidato diretamente identificado com o bolsonarismo, mas também revela um movimento de estabilização favorável ao presidente.
Ao mesmo tempo, a avaliação do governo federal mostra melhora contínua ao longo de maio. A taxa de “ruim/péssimo” caiu de 46% para 41% entre os dias 12 e 22 de maio, enquanto a avaliação positiva (“ótimo/bom”) permaneceu estável na faixa dos 30%. Já o índice de avaliação “regular” subiu para 28%.
O dado é relevante porque ajuda a explicar por que os votos que iam para Flávio Bolsonaro ainda não encontraram um destino alternativo dentro da “direita tradicional”.

A lógica era simples: diante das crises envolvendo o senador — especialmente após o desgaste causado pela relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e pela repercussão de áudios vazados — parte do eleitorado conservador poderia migrar para governadores ou figuras supostamente menos tóxicas. Mas isso não aconteceu na escala esperada.
Na prática, a melhora da percepção sobre o governo Lula parece estar funcionando como fator de contenção. Em vez de provocar dispersão automática na direita, o cenário induz parte do eleitorado bolsonarista a permanecer aglutinado em torno do nome mais identificado com a oposição frontal ao PT.
O próprio Datafolha mostra que, apesar do desgaste recente, Flávio ainda mantém competitividade nacional suficiente para encostar em Lula no segundo turno — algo que nem Zema, nem Caiado, nem Renan Santos conseguiram demonstrar de forma consistente até agora nas pesquisas mais recentes.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, resumiu o movimento observado pelos principais institutos. “Pesquisas Atlas, Datafolha e Futura com estimativas dentro da margem de erro uma em relação a outra. A queda do Flávio Bolsonaro não é grande, mas é real. Os envolvidos fariam melhor se preocupar com a reversão deste quadro em vez de negar a realidade ou atacar os institutos”, escreveu no X.