Wagner Moura agradece Bolsonaro por O Agente Secreto: “Sem ele, não teríamos feito o filme”

Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 15:02
Wagner Moura é entrevistado por Jordan Klepper, apresentador do renomado programa The Daily Show. Foto: Reprodução

O ator Wagner Moura segue em ritmo intenso a divulgação internacional do filme “O agente secreto” nos Estados Unidos. Na última semana, o ator participou do tradicional talk show americano The Daily Show, em uma entrevista que misturou bastidores da produção, comentários políticos e ironia sobre o cenário brasileiro recente.

Recebido pelo apresentador Jordan Klepper, Moura comentou a repercussão da vitória no Globo de Ouro e contou como celebrou o prêmio ao lado de amigos brasileiros, com samba e festa. O ator destacou apenas uma frustração durante a comemoração: a dificuldade de encontrar uma boa caipirinha nos Estados Unidos, o que o levou a improvisar com vodka e água tônica.

O interesse do apresentador pela dimensão política do filme pautou parte da conversa. Conhecido por abordar temas ligados à atualidade americana, Klepper buscou paralelos entre a narrativa de “O agente secreto” e o contexto político vivido tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos nos últimos anos.

Durante a entrevista, Wagner Moura falou sobre o processo criativo do longa e destacou o reconhecimento recebido desde a estreia em festivais internacionais. O ator afirmou que a obra nasceu de inquietações profundas sobre o período recente da história brasileira, marcado por tensões institucionais e retrocessos democráticos.

Em tom irônico, Moura lembrou que chegou a agradecer publicamente a Jair Bolsonaro em uma premiação. “O filme tem recebido um grande reconhecimento desde o Festival de Cannes. E em um dos prêmios que recebi, eu agradecia a ele (Bolsonaro). Sem ele, não teríamos feito o filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022”, disse.

Na sequência, o ator foi direto ao abordar o impacto político daquele período. “Este homem, eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI”, afirmou, ao contextualizar o ambiente que inspirou a narrativa do longa-metragem.

Ao longo dos cerca de 13 minutos de conversa, Wagner também fez críticas diretas à Lei da Anistia de 1979. Para ele, o país começa a enfrentar um problema histórico de memória institucional ao responsabilizar agentes que atentaram contra a democracia.

“Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas. O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para prisão pela primeira vez pessoas que atentaram contra a democracia. O próprio Bolsonaro está na prisão”, afirmou o ator, sob aplausos da plateia. Em seguida, completou: “O Bolsonaro jamais teria existido politicamente se não fosse a anistia”.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.