Wagner Moura diz que Bolsonaro é “uma manifestação física dos ecos da ditadura”

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 21:30
Wagner Moura no programa americano “The Daily Show”. Foto: Reprodução/ Youtube

O ator Wagner Moura usou uma entrevista no programa americano The Daily Show para fazer críticas diretas a Jair Bolsonaro e defender a mensagem política do filme “O Agente Secreto”. A participação foi ao ar na sexta-feira (16), após o longa conquistar dois prêmios no Globo de Ouro, e teve forte repercussão nas redes sociais.

Ao comentar o contexto do filme, Moura afirmou que “a ditadura terminou em 1985, mas não realmente terminou em 1985”, dizendo que “os ecos da ditadura ainda estão lá”. Segundo ele, a eleição de Bolsonaro, em 2018, representou a volta desses valores autoritários. “Quando elegemos um presidente de extrema direita em 2018, esse homem foi uma espécie de manifestação física desses ecos”, disse o ator no programa.

Wagner explicou que “O Agente Secreto” nasceu da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho diante do cenário político brasileiro entre 2018 e 2022. “Ele foi eleito democraticamente, mas veio trazer de volta os valores da ditadura para o Brasil no século 21”, afirmou, ao comentar o período em que Bolsonaro esteve no poder. “Nós nos perguntávamos como poderíamos lidar com isso, como poderíamos reagir.”

Durante a conversa com o apresentador Jordan Klepper, Moura destacou a importância da memória histórica. Ele criticou a Lei da Anistia de 1979, dizendo que ela “basicamente perdoou todos os torturadores” e classificou isso como algo “muito ruim para a nossa memória coletiva”. Para o ator, “há coisas que não podem ser esquecidas” e que precisam ser enfrentadas para evitar a repetição de tragédias autoritárias.

O ator afirmou ainda que o Brasil começa a lidar com esse passado ao responsabilizar quem atentou contra a democracia. “O Brasil está finalmente se alinhando com esse problema da memória quando enviamos pessoas que tentaram contra a democracia para a prisão”, disse, acrescentando que “Bolsonaro ele mesmo está agora preso”. Segundo Moura, isso pode representar “uma nova fase para os jovens brasileiros”.

Encerrando a reflexão, Wagner Moura afirmou que Bolsonaro “nunca teria existido politicamente” sem o apagamento histórico promovido pela anistia. “Essa lei fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura”, afirmou. Nos comentários do programa, espectadores estrangeiros elogiaram a entrevista, destacando a franqueza do ator e a forma direta com que relacionou arte, política e memória histórica.