Wal do Açaí: Justiça acaba com investigação contra Bolsonaro

Atualizado em 6 de novembro de 2026 às 14:27
Wal do Açaí e Jair Bolsonaro
Wal do Açaí ao lado de Carlos e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

A Justiça Federal de Brasília extinguiu a ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua ex-assessora Walderice Santos da Conceição, conhecida como Wal do Açaí, segundo a Folha de S.Paulo. O processo apurava a suspeita de manutenção de uma funcionária fantasma no gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O juiz federal Rodrigo Godoy Mendes, da 6ª Vara Federal do Distrito Federal, decidiu na quinta (5) que não encontrou elementos suficientes para manter a ação. O Ministério Público Federal (MPF) ainda pode recorrer da decisão.

Na sentença, Mendes afirmou não haver “prova cabal de nomeação fictícia, de desvio de função para afazeres domésticos, de locupletamento ilícito e de lesão efetiva aos cofres públicos”. Para o magistrado, a ausência dessas provas impõe o encerramento dos pedidos apresentados no processo.

O juiz também avaliou que cargos comissionados vinculados a deputados não exigem trabalho exclusivamente na sede do Parlamento, em Brasília. Assim, a atuação de uma assessora no estado de representação do parlamentar não caracteriza, por si só, irregularidade.

Loja da Wal do Açaí, em Angra dos Reis (RJ). Foto: Folhapress

MPF apontou suspeita de funcionária fantasma no gabinete

O Ministério Público Federal sustentava que Wal ocupou o cargo de secretária parlamentar entre fevereiro de 2003 e agosto de 2018 sem exercer funções para a Câmara. O órgão pediu o ressarcimento de R$ 280.273,44, valor que atribuiu a prejuízo aos cofres públicos.

Mendes escreveu que os autos não demonstraram repasses da remuneração de Wal a Bolsonaro, apropriação indevida de dinheiro ou divisão ilícita dos salários. Ele considerou que os saques em espécie relatados no processo poderiam atender a despesas cotidianas em uma comunidade sem estrutura bancária presencial.

As suspeitas vieram a público em 2018, quando Wal trabalhava em um comércio de açaí na Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), próxima à casa de veraneio de Bolsonaro. Registros da Câmara apontavam 26 mudanças de cargo no gabinete ao longo de 15 anos, incluindo promoções em 2011 e 2012.

Moradores da região disseram à época que Wal prestava serviços particulares na residência de Bolsonaro e que seu marido, Edenilson, trabalhava como caseiro no local. Questionado sobre as tarefas da então assessora, Bolsonaro respondeu: “Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região”.

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