Warner aprova venda à Paramount e estrelas de Hollywood se revoltam

Atualizado em 23 de abril de 2026 às 15:01
Logos da Warner e da Paramount. Foto: Divulgação

A fusão entre a Warner Bros. Discovery (WBD) e a Paramount, que pode transformar profundamente Hollywood e o mercado global de mídia, recebeu a aprovação esmagadora dos acionistas da Warner nesta quinta-feira (23). O acordo, que envolve a compra total da Warner pela Paramount, foi avaliado em cerca de US$ 81 bilhões (aproximadamente R$ 402 bilhões), somando até US$ 111 bilhões (R$ 551 bilhões, incluindo dívidas).

A transação poderá unir gigantes do entretenimento como HBO Max, “Harry Potter”, e CNN à Paramount+, CBS e “Top Gun”, criando um novo conglomerado no setor.

O CEO da Paramount, David Ellison, comemorou a aprovação e destacou que o acordo permitirá acesso a um catálogo de conteúdos maior e uma experiência de streaming mais robusta para os consumidores. “Eu amo o cinema e amo os filmes”, disse Ellison durante a CinemaCon.

A fusão também promete 30 filmes por ano entre as duas empresas, além de manter a separação das operações, como a HBO Max e a Paramount+. Contudo, apesar do entusiasmo da Paramount, o acordo ainda enfrenta obstáculos. A fusão precisa passar por uma análise rigorosa do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e dos reguladores da Europa.

A Warner espera que a operação seja finalizada até o terceiro trimestre fiscal deste ano. Além disso, o processo de fusão foi antecedido por disputas intensas entre a Paramount e a Netflix, que inicialmente estava envolvida nas negociações, mas desistiu após a Paramount fazer uma oferta mais atrativa.

A fusão também gerou reações negativas de parte significativa da indústria cinematográfica. Milhares de atores, diretores, roteiristas e outros profissionais assinaram uma carta aberta, expressando “oposição inequívoca” ao acordo.

Eles argumentam que o aumento da concentração de poder no setor pode reduzir as oportunidades de emprego e diminuir a diversidade de opções para os cineastas e o público. Entre os 4194 apoiadores da carta estão grandes nomes como Robert De Niro, Sofia Coppola, Pedro Pascal, Florence Pugh, Edward Norton, Joaquin Phoenix, Ben Stiller, Kristen Stewart, David Fincher, Denis Villeneuve, Jane Fonda, JJ Abrams e Mark Ruffalo.

Os atores Robert De Niro e Pedro Pascal. Foto: Divulgação

O senador democrata Cory Booker, durante uma audiência no Congresso, também se manifestou contra a fusão, destacando que o controle das narrativas culturais e jornalísticas está em jogo. “O que está em jogo claramente não é apenas um acordo corporativo, mas quem controla as notícias, quem controla o entretenimento, quem controla as narrativas”, disse o senador.

Por outro lado, executivos da Paramount alegam que a fusão será benéfica para os consumidores, ao oferecer catálogos mais amplos e um único serviço de streaming. A empresa promete manter sua promessa de investimentos no cinema e nos direitos de exibição nas salas de cinema, apesar de admitir que buscará cortar custos, incluindo demissões e redução de operações redundantes.

Críticos apontam que, apesar dos benefícios aparentes, essa consolidação pode significar aumentos nos preços e uma redução na diversidade de conteúdos disponíveis.

Além disso, a fusão também levanta questões sobre o jornalismo. Desde que a CBS passou a ser controlada pela Skydance, ocorreram mudanças editoriais significativas, incluindo a nomeação de Bari Weiss como editora-chefe da CBS News.

A preocupação é que, se a Warner for adquirida, mudanças semelhantes possam ocorrer na CNN, o que geraria ainda mais críticas, principalmente do presidente Donald Trump, que já demonstrou publicamente interesse no futuro da Warner.

A influência de Trump sobre a fusão também foi tema de discussão, dado seu relacionamento estreito com a família Ellison, especialmente com Larry Ellison, bilionário fundador da Oracle, que está financiando a proposta de fusão com bilhões de dólares.

Embora a Paramount tenha garantido que a política não terá impacto no processo regulatório, a proximidade de Trump com o processo continua gerando dúvidas. Por fim, a fusão ainda precisa passar por análises mais profundas dos reguladores americanos, e a pressão de entidades governamentais também pode atrasar o andamento do acordo.

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, já se posicionou contra a operação, declarando que o estado está investigando o caso. Em paralelo, reguladores europeus também analisam o impacto da fusão, o que pode adicionar mais desafios à concretização do acordo.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.