Washington ignora pedido da Colômbia para retirar tarifas

Atualizado em 18 de agosto de 2026 às 21:12
Espriella Colômbia
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella. Foto: Jose Vargas/Reuters

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, voltou a pedir aos Estados Unidos a suspensão temporária das tarifas que atingem produtos colombianos, mas recebeu uma resposta pública bem mais fria de Washington. Após uma ligação nesta terça-feira (18) com o secretário de Estado Marco Rubio, Espriella afirmou que o governo estadunidense demonstrou “toda a disposição” para avançar no tema. O comunicado oficial dos EUA sobre a conversa, porém, não fez qualquer menção às tarifas.

“Reiterei meu pedido para que sejam suspensas temporariamente as tarifas que afetam os produtos colombianos”, escreveu Espriella no X. Segundo ele, existe um procedimento necessário para viabilizar a medida e Washington estaria disposto a analisá-la. O colombiano classificou a conversa com Rubio como “muito proveitosa”.

Espriella também anunciou que determinou ao ministro do Comércio, Mauricio Gómez Amín, que viajasse ainda nesta terça a Washington para assumir pessoalmente as negociações. O presidente agradeceu a assistência prestada pelos Estados Unidos após o terremoto de 10 de agosto e reafirmou a intenção de fortalecer a aliança entre os dois países.

A versão divulgada pelo Departamento de Estado foi diferente. O texto confirmou a conversa entre Rubio e Espriella, mas destacou exclusivamente o apoio estadunidense à Colômbia depois do terremoto. Washington informou ter destinado US$ 26,5 milhões em assistência humanitária emergencial, enviado equipes de busca e resgate e realizado voos de apoio com aeronaves C-130. Não houve referência ao pedido de suspensão das tarifas nem à suposta disposição para negociá-lo.

A omissão não significa que Washington tenha rejeitado a solicitação, mas deixa sem confirmação pública a versão apresentada pelo presidente colombiano. É a segunda tentativa de Espriella em poucos dias: no sábado (15), ele já havia pedido diretamente a Donald Trump uma suspensão temporária para aliviar a situação de empresas atingidas pelos efeitos econômicos do terremoto.

Departamento de Estado dos EUA
A nota oficial do Departamento de Estado dos EUA não cita a suspensão das tarifas. Foto: Divulgação/Departamento de Estado dos EUA

A tarifa de 12,5% aplicada à Colômbia faz parte de uma ofensiva comercial mais ampla do governo Trump sob a Seção 301 da legislação estadunidense. O governo dos EUA incluiu a Colômbia entre dezenas de economias que, segundo sua investigação, não adotaram e aplicaram de forma adequada uma proibição à importação de produtos feitos com trabalho forçado. A cobrança tem exceções para algumas mercadorias. :contentReference[oaicite:9]{index=9}

Espriella assumiu a Presidência no início deste mês prometendo uma forte reaproximação com Washington após as tensões do governo Gustavo Petro. Agora, a tentativa de obter uma concessão comercial de Trump se transforma em um primeiro teste dessa proximidade: Bogotá afirma encontrar abertura do outro lado, enquanto Washington, publicamente, ainda evita dizer o mesmo.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!