Washington Post encontra Flávio Bolsonaro comendo rosquinha em escritório vazio nos EUA

Atualizado em 8 de novembro de 2026 às 20:08
Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desembarcando de jatinho usado para fugir do Brasil para os EUA. Foto: Ricardo Arduengo/AFP

Onze dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e oito dias após fugir do Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi encontrado pelo jornal estadunidense The Washington Post em uma situação peculiar: comendo um donut coberto de chocolate e confeitos coloridos em um escritório praticamente vazio, em Aventura, ao norte de Miami, na Flórida.

A cena ocorreu na quinta-feira (5), pouco antes de o parlamentar seguir para Mar-a-Lago, clube privado do presidente Donald Trump em Palm Beach.

Segundo a reportagem, Flávio observou o doce sobre o balcão de um espaço de coworking, aproximou-se e perguntou: “Posso comer isso?”. Em seguida, começou a comer a rosquinha enquanto olhava para o escritório vazio. O jornal descreveu o episódio ao apresentar a situação do senador, que passou de candidato à Presidência a político refugiado nos Estados Unidos, sem saber quando poderá retornar ao Brasil.

Flávio admitiu que ainda não sabe quais serão seus próximos passos. O senador afirmou que a derrota eleitoral e a mudança repentina de país provocaram um choque físico e psicológico. “Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, declarou. “Mas, obviamente, o que preciso fazer agora é regularizar minha situação migratória e, bem, pensar no que vou fazer.”

O parlamentar chegou aos Estados Unidos após deixar o Brasil clandestinamente, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. A ordem foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio contou que decidiu fugir depois de visitar seu pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por participação na trama golpista após as eleições de 2022.

Questionado pelo Washington Post sobre a rota utilizada na fuga e a possível participação de agentes estadunidenses, Flávio se recusou a fornecer detalhes. Segundo uma autoridade brasileira de segurança ouvida sob anonimato, investigadores apuram se agentes dos Estados Unidos, da Argentina e de Israel participaram da operação. Um ex-integrante do Mossad teria sido visto acompanhando o veículo que transportava o senador em direção à fronteira argentina.

A reportagem também ouviu aliados de Flávio que criticaram sua decisão de abandonar o Brasil. Um assessor classificou o senador como emocionalmente frágil e considerou a fuga a pior escolha possível para alguém que pretendia contestar o resultado eleitoral. Outro afirmou que o parlamentar estava abalado após perder uma disputa que acreditava vencer. Lula conquistou a reeleição com aproximadamente 4,4 milhões de votos de vantagem.

Mesmo sem apresentar provas, Flávio voltou a questionar a lisura da eleição. O senador também contestou as declarações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, que afirmou repetidamente que a votação foi legítima. As autoridades eleitorais brasileiras não identificaram irregularidades capazes de comprometer o resultado.

Ao final do encontro, Flávio se preparava para participar de um evento conservador em Mar-a-Lago, onde discursaria para apoiadores de Trump. Antes de deixar o espaço de coworking, porém, ainda precisava terminar o doughnut. Foi com essa imagem do senador diante do balcão, comendo o doce em um escritório vazio nos arredores de Miami, que o Washington Post encerrou seu relato sobre a nova vida do político brasileiro nos Estados Unidos.

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