Amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz comprou R$ 62 milhões em imóveis

Atualizado em 24 de outubro de 2026 às 12:41
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro, comprou ao menos 15 imóveis em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo entre 2021 e 2026, por R$ 62 milhões. Um levantamento de escrituras de compra e venda identificou aquisições feitas diretamente por ele ou pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens.

De acordo com informações do Uol, Tomaz constrói em Brasília uma mansão de três pavimentos, com subsolo, térreo, piso superior e heliponto, no Lago Sul. A empresa do advogado comprou em março de 2024, por R$ 12,5 milhões, um terreno de 764 metros quadrados com uma casa que acabou demolida para dar lugar ao novo imóvel.

A PF apura Tomaz em duas frentes: uma investigação sobre desvios em benefícios de aposentados do INSS e outra sobre um suposto esquema ligado a casas de aposta. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, também é investigado no inquérito sobre as bets.

Flávio Bolsonaro e Tomaz mantêm amizade, fizeram viagens internacionais em jatinhos do advogado e atuaram juntos na advocacia. Os investigadores também apuram a suspeita de que os dois tenham mantido sociedade em negócios sob investigação; ambos já atuaram na defesa um do outro no Senado.

Advogado comprou imóvel vizinho por R$ 6,1 milhões

Duas propriedades vizinhas no Lago Sul, em Brasília
Duas propriedades vizinhas no Lago Sul, em Brasília, uma em obras e outra sem reforma aparente. Foto: Reprodução

Um ano depois da primeira aquisição no Lago Sul, Tomaz comprou a residência vizinha, na mesma quadra, por R$ 6,1 milhões. O imóvel tem 494 metros quadrados de área construída e fica em um lote de 1.033 metros quadrados; R$ 1,83 milhão foi pago por transferências bancárias, e o restante veio de financiamento do Banco de Brasília.

A segunda casa não apresentava fluxo de moradores e aparentava estar desocupada. Já as obras da mansão mobilizam trabalhadores e prestadores de serviços de arquitetura, paisagismo, marmoraria, ar-condicionado, esquadrias, revestimentos, áudio e vídeo e design.

Rogério Luís de Resende, antigo proprietário do primeiro imóvel, afirmou que a negociação chegou à WT após outro comprador deixar de pagar parcelas previstas em contrato. “Foi feita uma transferência bancária do valor integral da diferença que faltava eu receber”, disse. “Veio da conta da WT.”

Resende relatou que Tomaz demoliu integralmente a construção anterior, incluindo o subsolo. “A casa tinha até subsolo, ele derrubou até o subsolo, ficou um grande buraco do tamanho do terreno”, afirmou. O antigo dono disse que o terreno vendido já incluía espaço para heliponto e quadra de tênis.

Tomaz teria dito a vizinhos que investiria R$ 25 milhões no empreendimento e pretendia revendê-lo por R$ 50 milhões. Pessoas ligadas à obra relataram que a mansão deve servir de moradia e que a entrega, antes prevista para este ano, sofreu atrasos. A assessoria do advogado informou que ele não responderia aos questionamentos.

O advogado também é dono do Rancho Tomaz, em Planaltina (DF), onde uma fotografia reuniu políticos como Arthur Lira (PP-AL), Alexandre Ramagem (PL-RJ), Juscelino Filho (PSDB-MA), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Paulo Azi (União Brasil-BA) e Weverton Rocha (PDT-MA). A relação com Weverton integra a apuração da PF sobre fraudes em benefícios do INSS.

Weverton morou em Brasília em uma casa de R$ 6 milhões que pertence formalmente à WT Administração de Imóveis e Bens e deixou o endereço no primeiro semestre deste ano. A PF afirma que o senador participou das tratativas para a compra, embora a escritura tenha registrado a empresa de Tomaz como proprietária.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior