
Por Elias Jabbour*
O presidente da República Popular da China, Xi Jinping fez seu tradicional pronunciamento de ano novo expondo, com visão de conjunto, os grandes feitos no ano de 2025, assim como os desafios do país ao ano vindouro.
Destacou com ênfase o término do 14º Plano Quinquenal. O país passou por um verdadeiro salto nos últimos cinco anos. Segundo Xi Jinping:
“Nos últimos cinco anos, trabalhamos arduamente e avançamos com coragem e perseverança. Ao ultrapassar inúmeras dificuldades e desafios, alcançamos as metas e concluímos as tarefas, dando passos firmes na nova jornada da modernização chinesa. A nossa economia tem ultrapassado há anos novos marcos e pode chegar a 140 trilhões de yuans ainda neste ano, conforme estimativas. As forças da economia, da ciência-tecnologia e da defesa nacional, bem como o poderio nacional, avançaram a um novo patamar”.
Na verdade, os últimos cinco anos marcaram um completo reposicionamento econômico, político e social da China no mundo. O país demonstrou a superioridade de seu sistema político e social ao conseguir enfrentar o bloqueio tecnológico imposto pelos Estados Unidos e aferir a primeira posição em grande parte das tecnologias de vanguarda, como aquelas relacionadas à formas novas, limpas e renováveis de energia.
Está prestes a alcançar autossuficiência tecnológica nos setores de infraestruturas de semicondutores e Inteligência Artificial. Os feitos chineses neste 14º Plano Quinquenal são impressionantes sob qualquer ângulo de observação.
Os avanços sociais, sob a síntese de uma crescente estabilidade social do país foram assinalados. Interessante notar que a apresentação de Xi Jinping coloca ênfase na unidade do país, suas comemorações padronizadas entre as diferentes etnias e regiões do país.
Na verdade, quanto mais o desenvolvimento chinês alcança as regiões mais longínquas da nação e mais e mais pessoas vão tendo acesso aos frutos do desenvolvimento, maior é a estabilidade social e a capacidade de a China mostrar ao mundo as virtudes do socialismo.
As virtudes do socialismo devem ser contrastados com o que vemos hoje fora da China: um mundo instável, onde aumenta a concentração de renda e riqueza e países como os Estados Unidos são cada vez mais parecidos com máquinas de gerar caos, desigualdades internas, racismo e ideologias intolerantes.

Sob nosso ponto de vista, vale destacar a crescente importância chinesa como polo de estabilidade em um mundo cada vez mais instável e perigoso. Nas palavras de Xi Jinping:
“Nós continuamos a receber o mundo de braços abertos. Foram realizadas com sucesso a cúpula de Tianjin da Organização de Cooperação de Shanghai e a Cúpula Global de Mulheres. O Porto de Livre Comércio de Hainan iniciou oficialmente as operações alfandegárias especiais. Para lidar melhor com as mudanças climáticas, nosso país anunciou o novo pacote de Contribuição Nacionalmente Determinada. Após a formulação das três iniciativas globais sobre desenvolvimento, segurança e civilização, apresentei a Iniciativa de Governança Global, com o objetivo de promover um sistema de governança global mais justo e equitativo. O mundo de hoje vivencia mudanças e turbulências entrelaçadas, e algumas regiões ainda padecem com conflitos. A China sempre esteve do lado correto da história e segue disposta a promover, juntamente com todos os países, a paz e o desenvolvimento do mundo, impulsionando a construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”.
Vale concentração maior neste ponto. A China tem buscado oferecer iniciativas fundamentais para a reinvenção da governança global. A República Popular da China tem se mantido como uma voz serena a ser ouvida pelos diferentes povos do mundo no sentido de busca de soluções mediadas a conflitos complexos. Cada iniciativa chinesa refere-se a questões concretas de nosso tempo.
Desde as questões envolvendo as dificuldades dos países em alcançarem desenvolvimento e prosperidade até a entrega de uma forma de governança mais justa e equilibrada. Se os Estados Unidos promovem bloqueios e sanções, a China abre seu mercado para os produtos dos países mais pobres do mundo.
Se os Estados Unidos promovem bullyings de todo o tipo, os chineses, com sua produção em massa de equipamentos para mitigar as ações da crise climática, tem sido fator de redução rápida nos preços de placas fotovoltaicas que hoje começam a habitar o horizonte do Sul Global.
A partir das palavras de Xi Jinping, podemos dizer, sem nenhuma dúvida, e tomando como ponto de partida as realizações chinesas e seu impacto internacional, que a China é o país mais responsável do mundo. O país mantem-se de portas abertas enquanto o Ocidente se fecha em si mesmos e não encontram saídas e soluções para uma crise existencial que parece sem fim.
*Elias Jabbour é professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Escrito em colaboração com o Grupo de Mídia da China