
A ex-deputada federal Carla Zambelli compareceu nesta terça (20) a mais uma audiência na Justiça italiana sobre o pedido de extradição ao Brasil. A sessão ocorreu na Corte de Apelação de Roma e terminou sem avanço no mérito, após a defesa solicitar a substituição dos juízes responsáveis pelo caso.
Com o pedido, o tribunal deverá agora definir um prazo para decidir se aceita ou não a contestação apresentada pelos advogados. Enquanto isso, a análise da extradição fica suspensa. Antes dessa audiência, o processo já havia sido adiado três vezes por diferentes razões, incluindo adesão da defesa a uma greve de advogados e a juntada de novos documentos.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a condenação, ela deixou o Brasil, passou pelos Estados Unidos e seguiu para a Itália, onde foi presa e passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.
Em dezembro, o STF determinou a cassação do mandato da então deputada, revertendo decisão anterior da Câmara dos Deputados. Três dias depois, ela apresentou carta de renúncia. A defesa sustenta que Zambelli sofre perseguição política e tenta impedir a extradição com base nesse argumento.

Um dos principais pontos levantados pelos advogados diz respeito às condições carcerárias no Brasil. A Justiça italiana chegou a suspender o julgamento para aguardar esclarecimentos, que foram enviados pelo ministro Alexandre de Moraes. O documento detalha que, caso extraditada, Zambelli ficaria na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e afirma que o local atende a critérios de segurança e assistência.
A ex-deputada foi presa em Roma no fim de julho, após cumprimento de mandado internacional solicitado pela Polícia Federal. A Corte italiana negou pedidos de liberdade ou prisão domiciliar, apontando risco concreto de fuga, inclusive com base em declarações públicas feitas por ela à imprensa local.
Também foram analisadas alegações de problemas de saúde, rejeitadas após perícia médica concluir que o tratamento pode ser realizado no sistema prisional italiano e que uma eventual transferência ao Brasil não representaria risco grave. O Ministério Público da Itália já se manifestou a favor da extradição, mas o caso ainda pode chegar à Corte de Cassação e, posteriormente, à decisão final do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.