Zema, o hétero bem-nascido, tenta ser o genérico de Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Atualizado em 31 de janeiro de 2024 às 7:23
Romeu Zema, governador do estado de Minas Gerais. (Foto: Reprodução)

A declaração de Romeu Zema em defesa dos homens héteros e bem-sucedidos é mais uma tentativa ainda atrapalhada do mineiro de ser um Bolsonaro genérico.

Zema disse em discurso um evento em Belo Horizonte nessa terça-feira: “Se alguém é homem, é branco, é heterossexual e é bem-sucedido, pronto, rotulado de carrasco”.

O evento era de lançamento de um programa do governo do Estado de proteção a mulheres que venham a ser vítimas de violência e assédio sexual no Carnaval.

Num momento em que a prioridade era falar das mulheres em relação aos homens agressivos, Zema fala dos homens que considera perseguidos por serem héteros e bem-sucedidos.

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Em evento, Zema diz que homens brancos heterossexuais e bem-sucedidos são ‘rotulados de carrasco’. Declaração foi dada durante o lançamento do Plantão Integrado Acolhe Minas, iniciativa voltada à violência de gênero durante os dias de carnaval. #JornalOGlobo #TikTokNews #TikTokNoticias #Zema

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Não foi uma gafe, foi apenas uma fala mal calibrada. O que ele queria era isso mesmo. Afirmar, num evento sobre mulheres, que prefere falar da proteção aos homens eventualmente denunciados pelas mulheres.

O negócio é ficar bem com os homens. Porque Zema, Eduardo Leite, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior e Michele perseguem o tom certo para herdar e fidelizar o espólio machista de Bolsonaro e se habilitar a uma candidatura em 2026.

E o tom certo passa sempre pelo discurso que defende o macho predador e desqualifica até um programa criado com boas intenções por assessores, mas que na cabeça de Zema nem deve ter fundamento.

Zema é um simplório, e são promissoras, desde a ascensão do fascismo, as carreiras de políticos simplórios no Brasil.

Há muitos simplórios bem-sucedidos, em todas as áreas. Sergio Moro foi um deles. Zema é a tartaruga que subiu na cerca por ser herdeiro de família com dinheiro. É o hétero simplório bem-nascido.

Mas nada do que diz pode ser visto como gafe. Nem quando, em julho, citou uma frase de Mussolini, para associar sua fala à de ícone da extrema direita. Foi isso o que ele repetiu:

“Fomos os primeiros a afirmar que, quanto mais complexa se torna a civilização, mais se deve restringir a liberdade do indivíduo”.

Zema deve saber vagamente quem foi Mussolini, mas seus assessores, que tentam calibrar seu discurso, sabem bem.

Ele e todos os que tentam se acomodar no nicho de Bolsonaro não precisarão se esforçar muito para que se apresentem não só como ultraconservadores, mas como expressões do reacionarismo mesmo.

Alguns são meio fofos, mas são legítimos representantes da direita engolida pela extrema direita. Zema se consola em ser um genérico bolsonarista.

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ELAS
A notícia ruim: a Abin estava infestada de infiltrados, ou o governo não teria substituído hoje o número 2 da agência e mais seis diretores.

A notícia boa: com as trocas, quatro diretorias serão ocupadas por mulheres.

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POR TODA PARTE
Até o estagiário da Abin sabe. Há estruturas de arapongagem espalhadas por toda parte, com ou sem assessoria de gente que trabalhou no governo e ainda trabalha para a família que pesca em Angra.

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CAÇADAS
A temperatura está bem agradável em Angra. As noites são de lua cheia, a lua boa para caçar tatu.

É melhor do que levantar às 5h da madruga para fugir da puliça e fingir que está pescando.

Originalmente publicado em Blog do Moisés Mendes

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