
O ex-ministro da Economia Paulo Guedes criticou a política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que não pretende voltar à vida pública. A declaração foi feita durante um evento do mercado financeiro em São Paulo, onde também comentou o cenário fiscal e descartou participação em eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Guedes afirmou que o atual governo ampliou os gastos públicos e adotou uma condução fiscal que, segundo ele, pressiona a política monetária. “Nós tínhamos uma política fiscal forte. Quando o fiscal é forte, a moeda é suave e os juros são baixos. Você muda a dose e bota um fiscal frouxo agora. Como o fiscal está frouxo, o freio monetário começa a ser puxado”, declarou.
Na sequência, ele comparou o nível de despesas atuais com o período da pandemia. “Somos uma geração que pagou pela guerra da Covid e deixou a situação melhor ainda para nossos filhos e netos. Este governo já gastou mais do que nós gastamos durante a pandemia, só que hoje não tem pandemia”, disse.

Dados do Banco Central indicam que a dívida pública federal estava em 73,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2022. Em fevereiro de 2026, esse percentual chegou a 79,2%. Guedes relacionou esse cenário ao aumento da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano.
Ao tratar da política monetária, o ex-ministro afirmou que o aumento dos juros impacta diferentes setores da economia. “Os juros vão lá em cima e começam a destruir tudo: investimento privado, crédito, consumidor. Começa a estraçalhar uma indústria nova que estava surgindo”, declarou.
Durante o evento, Guedes também descartou retorno à política, mesmo em caso de vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. “Não tenho a menor chance de entrar em política. Zero chance”, afirmou.
Flávio Bolsonaro já declarou que pretende dar continuidade à política econômica conduzida por Guedes no governo anterior, mas não indicou nomes para eventual equipe econômica.