Zezé Perrella e a lama que mancha a gloriosa camisa do Cruzeiro

Zezé Perrella

Onze anos separam as duas investigações policiais, mas os personagens centrais são os mesmos e, em comum, está Zezé Perrella, presidente do Conselho do Cruzeiro.

Esta semana, na operação Escobar (seria uma referência ao traficante Pablo Escobar?), foi preso o advogado Ildeu da Cunha Pereira, que recebia de um escrivão da Polícia Federal informações sigilosas sobre inquéritos em curso.

O escrivão é Márcio Antônio Camillozzi Marra, que é conselheiro do Cruzeiro.

Ele chegou ao Conselho indicado por Ildeu da Cunha Pereira, influente no clube, pois ocupou o cargo de superintendente jurídico até 2008, durante as gestões de Zezé Perrella como presidente.

Em telefonema grampeado com autorização judicial, Ildeu pediu a José Maria Fialho, conselheiro nato do Cruzeiro, a nomeação do escrivão.

“Vai ter votação? Ajuda o Marra”, solicitou Ildeu.

“Ele vai”, respondeu José Maria Fialho.

“Como assim?”, perguntou o advogado.

“Ele vai ser conselheiro, depois te ligo”, disse Fialho.

O conselheiro Fialho também é ligado à família Perrella. É sócio de Alvimar, irmão de Zezé e que também presidiu o clube. A empresa deles é a Stylus Alimentação.

Quando Alvimar presidiu o clube, Fialho era seu vice.

Em 2008, o advogado Ildeu também foi preso, na Operação Avalanche, sob a acusação de integrar uma quadrilha que era ligada ao publicitário Marcos Valério, o do mensalão, e que tinha como objetivo burlar a fiscalização da Receita Federal.

A quadrilha também contava com servidores do Fisco, que, a exemplo do escrivão da PF na Operação Escobar, passavam informações sigilosas.

Em nenhuma das operações, Perrella foi acusado. No entanto, a ligação dele com os envolvidos é evidente.

Na investigação mais recente, aparece também a irmã de Aécio, Andrea, alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência.

Lá, os policiais encontraram cópia de um depoimento sigiloso de Joesley Batista, que delatou Andrea e o irmão, Aécio. A PF acredita que o depoimento foi obtido pelo escrivão Márcio Antônio Camillozzi Marra e vazado ilegalmente.

Não resta dúvida de que Andrea teve acesso ao documento por meios escusos, segundo despacho da juíza do caso, Camila Franco.

O nome da operação, Escobar, pode ser uma referência indireta ao Helicoca, o caso do helicóptero da família Perrella apreendido com quase meia tonelada de pasta base de cocaína, em novembro de 2013.

Na época, Zezé Perrella foi declarado inocente pelo delegado da PF que presidia o inquérito. Sua imagem, no entanto, ficou arranhada e ele atribuiu à repercussão do caso a derrota eleitoral do filho, Gustavo, que era candidato a deputado federal.

Ele mesmo desistiu de concorrer à reeleição no Senado em 2018. Mas continua forte nos negócios e na política interna do Cruzeiro.

Com a operação Escobar, a gloriosa camisa do clube acabou respingada de lama, como já ocorreu outras vezes.

Desde 2003,  Zezé tem seu nome envolvido em negócios nebulosos, como em um caso de lavagem de dinheiro e evasão de divisas detectado na transferência do zagueiro Luisão.

Quando se imagina que ele vai tirar o time de campo, Zezé Perrella volta, como o dono da bola. E e está sempre no meio das boladas.

 

 

 

 

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