Roda Viva ou Roda Morta?

Melhor dormir

 

Vi, outro dia, um comentário no twitter que dizia o seguinte: zzzzzzzz.

Era a propósito de um Roda Viva com Diogo Mainardi.

Minha primeira reação foi pensar: Duelo de Titãs! Mário Sérgio Conti e Diogo Mainardi são titãs do mau jornalismo, cada qual do seu jeito.

Vi, no YouTube, alguns minutos. O quanto suportei, para ser franco. Mais ou menos como numa sessão de waterboarding.

O pouco que vi foi suficiente para concluir algumas coisas:

1)   Mainardi continua o mesmo depois de seu auto-exílio. Ele disse que quem está na internet é otário. Fez questão de generalizar quando alguém da bancada de entrevistadores ponderou que havia pessoas de todos os tipos na internet. Por exemplo, a alma gêmea digital de Mainardi, Reinaldo Azevedo.

Otário, Azevedo? Reacionário, ultradireitista, desonesto nas polêmicas, desequilibrado? Sim, sim, sim e sim. Mas otário não. Presumo que Mainardi ache aquilo porque o internauta típico não gosta dele. Melhor: oscila entre detestar e desprezar. O público do papel – mais velho, mais conservador – tem uma opinião melhor sobre Mainardi. Mas entre o internauta e Mainardi, se é preciso escolher quem é o otário, fico você sabe com quem.

2)   Mário Sérgio deveria tomar um choque elétrico antes de começar o programa. A lentidão monocórdia com que ele se expressa, a falta de contundência, o ar de enfado, tudo isso explica o zzzzzz que vi no twitter. Tinha lido, antes da entrevista, que um blogueiro foi censurado por Mainardi e desconvidado por Mário Sérgio . Ora, se você tira de um programa de entrevistas a única voz que pode confrontar o entrevistado, dá em zzzzzz mesmo. Que Mainardi tenha pedido a exclusão, entendo, dada a personalidade dele. Que Mário Sérgio tenha aceitado, é uma demonstração incrível de fraqueza.

Programa bom de entrevista tem no confronto de idéias um elemento essencial. Entre mortos e feridos nos embates, salva-se o espectador, exposto a várias visões que o ajudarão a formar opinião sobre determinado assunto.

O resto é zzzzzzz — e, claro, um espetacular traço.