“Meu filho não é mais bem vindo em casa”: a lição da carta pungente do pai de um neonazista. Por Kiko Nogueira

Peter Tefft, ao centro, em Charlottesville com os colegas neonazistas

Em uma carta aberta publicada no site Inforum.com, Pearce Tefft, pai de Peter Tefft, que foi identificado como neonazista na marcha de 11 de agosto em Charlottesville, falou de seu drama.

Pearce se refere ao rapaz como seu “filho pródigo” e diz que ele não é mais bem vindo nas reuniões de família. O post viralizou.

 

“Rezo para que ele renuncie a suas crenças odiosas e volte para casa”, diz o pai.

“Foi o silêncio das boas pessoas que permitiu que os nazistas crescessem da primeira vez, e é o silêncio das boas pessoas que está permitindo que cresçam agora”.

Você romperia com seu filho? Você tentaria salvá-lo? A culpa por um monstro criado em casa é de quem?

Meu nome é Pearce Tefft, e escrevo a todos a respeito do meu filho mais novo, Peter Tefft, um nacionalista branco asumido que tem aparecido em diversas reportagens nos últimos meses.

Na noite de sexta-feira, meu filho viajou para Charlottesville e foi entrevistado por uma equipe de jornalistas enquanto marchava ao lado de outros nacionalistas brancos, que acabaram matando uma pessoa.

Eu, juntamente com todos os seus irmãos e sua família, desejo repudiar veementemente a retórica e as ações torpes, odiosas e racistas de meu filho. Não sabemos exatamente onde ele aprendeu essas crenças. Não foi em casa.

Tenho dividido minha casa e meu coração com amigos e conhecidos de todas as raças, gêneros e credos. Ensinei às minhas crianças que todos os homens e mulheres são iguais. Que temos de amar a todos igualmente.

Evidentemente, Peter decidiu desaprender tais lições, para desgosto e sofrimento meu e de sua família. Estávamos em silêncio até agora, mas agora vemos que isso foi um erro.

Foi o silêncio das boas pessoas que permitiu que os nazistas crescessem da primeira vez, e é o silêncio das boas pessoas que está permitindo que cresçam agora.

Peter Tefft, meu filho, não é mais bem-vindo em nossas reuniões familiares. Eu rezo para que meu filho pródigo renuncie a suas crenças odiosas e volte para casa. Só então faremos uma festa. 

Suas opiniões odiosas estão resultando em ataques a seus irmãos, primos, sobrinhos e sobrinhas, assim como seus pais. Por que deveríamos ser culpados por associação? Novamente, nenhuma de suas crenças foram ensinadas em casa. Nós não aceitamos e jamais aceitaremos sua deturpada visão de mundo.

Ele certa vez disse, em tom jocoso: “Não é que nós, fascistas, não acreditemos em liberdade de expressão. Você pode dizer o que quiser. Nós apenas vamos te jogar em um forno”.

Peter, você vai ter que atirar nossos corpos no forno também. Por favor, filho, renuncie ao ódio, aceite e ame a todos.