“Me chame de prefeito”: São Paulo não merece cavalgaduras como Andreas e Dorias. Ou merece? Por Kiko Nogueira

Separados no nascimento
Separados no nascimento

 

Andrea Matarazzo. Conhece?

Andrea Matarazzo terá de concorrer com outros nomes para conseguir emplacar uma vaga de candidato à prefeitura de São Paulo.

O mais famoso deles é João Doria Jr, protegé de Alckmin, o protocoxinha, inventor do movimento Cansei, organizador de eventos juntando empresários e políticos (um deles o Cunha), promotor de desfiles de cachorros em Campos do Jordão e cheiroso.

Se passar pelo mata burro, Andrea terá outro adversário complicado pela frente, e não me refiro a Fernando Haddad: ele mesmo e sua visão de mundo.

Andrea Matarazzo é uma besta.

O vereador e líder do PSDB na Câmara Municipal representa com galhardia o atraso, a empáfia e o pseudo super preparo tucano. Não à toa, seu mentor é José Serra.

Andrea carrega consigo a ideia de predestinação por causa do sobrenome tradicional. É sobrinho-neto de Francesco Matarazzo, o imigrante italiano que veio pobre para SP no fim do século 19, foi mascate, terminou industrial — e “conde”, claro, tanto quanto Chiquinho Scarpa.

Como FHC em 1985, Andrea já está pedindo para ser chamado de “prefeito”. Fernando Henrique fez uma foto célebre sentado na cadeira de prefeito naquele ano; quando Jânio Quadros ganhou a eleição, desinfetou o assento.

Para Andrea Matarazzo, “a vida do paulistano é muito difícil, muito ruim”, segundo declarou ao El Pais. E aí é o caso de se perguntar: onde ele andou esse tempo todo, por Deus?

A resposta: ocupando cargos públicos importantes na capital e no estado. Ele mesmo recorda que foi subprefeito da Sé, secretário de Serviços e de Subprefeituras e secretário de Cultura.

O que fez para mitigar o sofrimento atroz do cidadão? O que fez na Cultura? Na subprefeitura que ocupou? Não se sabe.

Sua estupidez não poupa os ciclistas, sumariamente condenados com base em sua larga experiência na área da difamação. “O ciclista aqui se acha intocável. Acha que pode tudo, pode passar na faixa de pedestre”, afirma, contribuindo para empobrecer o debate e alimentar centenas, milhares de motoristas que encaram um sujeito numa bicicleta como um comunista que merece ser atropelado.

Definindo-se a si próprio como “coxinha dos Jardins”, Andrea Matarazzo também não sabe se manterá a Paulista fechada para carros aos domingos. A prefeitura de Paris acabou de anunciar que a avenida Champs Elysées será restrita a pedestres uma vez por mês. Mas lá eles são bolivarianos.

Ele e Doria são o mesmo bicho, que podemos chamar de Andrea Doria. Para quem não acredita em coincidências, é o nome de um transatlântico que afundou em 1956, saindo de Gênova a caminho de Nova York, ao colidir com o MS Stockholm, navio de bandeira sueca. O naufrágio tornou-se mitológico.

A vida é dura, mas o paulistano não merece cavalgaduras como a dos andreas e dorias.

Ou merece?