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“Figura tóxica”: Ibaneis deve ser descartado em disputa pelo Senado após prisão de ex-chefe do BRB

Ibaneis Rocha, ex-governador do DF. Foto: reprodução

A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, aprofundou o desgaste político de Ibaneis Rocha (MDB), que indicou o agora detento, e passou a contaminar diretamente as articulações do ex-governador para disputar uma vaga no Senado. Segundo o Estadão, a imagem de Ibaneis se tornou tóxica nas negociações partidárias, a ponto de já haver, nos bastidores de Brasília, o risco concreto de ele ficar sem palanque na eleição deste ano.

O incômodo não está restrito à oposição. Integrantes do partido da atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmam que a campanha dela vem sendo prejudicada pelo envolvimento de Ibaneis no caso Banco Master. De acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, a própria Celina já aguardaria a eventual prisão do ex-governador como a única “saída confortável” para conseguir se descolar politicamente dele em meio ao agravamento da crise.

O PL, que integra a chapa local, já rompeu com Ibaneis e trabalha para lançar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mesmo assim, o MDB do ex-governador insiste que ele continuará na disputa. Dirigentes do partido no Distrito Federal se reuniram na noite de quinta-feira (16), sem a presença de Ibaneis, que, segundo aliados, já tinha uma viagem marcada para uma fazenda.

A tensão interna ficou ainda mais evidente com as declarações do deputado Alberto Fraga (PL-DF), que afirmou apoiar José Roberto Arruda (PSD) ao governo do Distrito Federal e disse esperar a prisão de Ibaneis. “Quero o Ibaneis na cadeia. Ele é tão arrogante que pode até manter a candidatura, mas eu duvido que ele seja mesmo candidato”, afirmou.

Fraga também atacou a relação entre Ibaneis e Celina Leão: “O que se diz é que a Celina abandonou o Ibaneis há muito tempo. Esperta demais”.

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sentado, falando e gesticulando, sério
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa – Reprodução

O avanço do desgaste ocorre num momento em que vieram à tona mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o material, Ibaneis, além de defender amplamente a compra do Master pelo BRB, mesmo diante de recomendações contrárias, sabia que a operação geraria críticas e chegou a pedir argumentos para rebater os questionamentos. Diante disso, adversários do ex-governador passaram a repetir nos bastidores: “Paulo Henrique não operou sozinho. Ibaneis deve explicações”.

A defesa de Ibaneis tenta conter os danos. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que as conversas entre Costa e Vorcaro comprovam que o ex-governador “não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras” e que concedeu “plena autonomia” à área técnica do BRB.

A crise atual também trouxe de volta episódios antigos envolvendo o banco público. Entre eles, uma reportagem publicada por Lúcio de Castro, da Agência Sportlight, que relacionou negócios do BRB com o grupo Sarkis ao financiamento da mansão comprada por Flávio Bolsonaro em Brasília.

Segundo a apuração, o crédito de R$ 3,1 milhões concedido ao senador para a compra do imóvel exigiu aval direto da diretoria colegiada do BRB, então presidida por Paulo Henrique Costa, indicado por Ibaneis Rocha. Com a prisão do ex-presidente do banco, esse histórico voltou a circular como parte do desgaste político que agora alcança em cheio o ex-governador.

Juscelino Sarkis e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução