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Aliados de Lula veem traição de ministro e defendem Messias na Justiça

O presidente Lula e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), aliados do presidente Lula no governo e no PT defendem uma mudança no Ministério da Justiça. Alguns sugerem que o presidente demita o atual chefe da pasta, Wellington Lima e Silva, e coloque o advoga-geral da União em seu lugar, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

O grupo que apoia Messias acredita que o ministro Lima e Silva não fez esforços para ajudar na aprovação e que o padrinho político dele, Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, induziu Lula a um erro ao afirmar que pelo menos 45 senadores votariam favoravelmente.

O discurso deu tranquilidade ao presidente e desmobilizou os apoiadores do advogado-geral da União no dia da votação. De acordo com um dos aliados de Messias, Wagner teria “feito corpo mole” porque tem um candidato próprio ao STF: Lima e Silva.

A situação ficou ainda mais tensa quando vídeos começaram a circular entre os petistas, mostrando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comunicando a Wagner que Messias seria derrotado por oito votos. Além disso, a cena dos dois se abraçando após a derrota aumentou as suspeitas de traição a Lula. O senador não se manifestou publicamente sobre o caso.

Jaques Wagner e Davi Alcolumbre no Senado Federal. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

A rejeição ao nome de Messias teve 42 votos contrários e 34 a favor, na quarta (29), e foi marcada como a primeira indicação presidencial ao STF vetada no Senado desde 1894. A derrota ocorreu em meio a uma queda de braço entre o Executivo e o Legislativo e membros do governo também acreditam que uma ala do STF atuou nos bastidores para sabotar a indicação

Lula rompeu com Alcolumbre após a votação. Integrantes da base do governo no Senado têm estudado reações políticas à articulação do presidente da Casa, como enfraquecer o grupo político dele no Amapá às vésperas das eleições.

Outra possibilidade discutida é a substituição de indicados de Alcolumbre ao governo federal. Essa ala do governo acredita que não há mais espaço para manutenção da relação política entre os Poderes após o episódio e que eventuais atrasos a pautas importantes do governo na Casa, como o fim da escala de trabalho 6×1, causarão desgastes políticos ao presidente do Senado.

Em meio à articulação para barrar a indicação de Messias, Alcolumbre também discutiu a reeleição para a presidência da Casa no biênio 2027/28. Parlamentares da extrema-direita e do Centrão se comprometeram a votar nele na próxima disputa.