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Chefe da Meta ligado a Trump sai em meio a denúncias de favorecimento a Flávio no Brasil

Joel Kaplan
Joel Kaplan, ex-chefe de assuntos internacionais da Meta. Foto: Kent Nishimura/Reuters

Joel Kaplan, chefe de políticas globais da Meta e um dos principais conselheiros de Mark Zuckerberg em Washington, anunciou nesta terça-feira (20) que deixará a empresa após 15 anos. A saída ocorre em meio a denúncias de suposta manipulação das plataformas da companhia em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, no segundo turno das eleições brasileiras.

Aos 57 anos, Kaplan é conhecido por suas ligações com o Partido Republicano dos Estados Unidos e pela proximidade com o presidente Donald Trump. Ex-assessor do governo George W. Bush, ele comandou por mais de uma década a equipe responsável pelas relações políticas da Meta em Washington e participou da aproximação da empresa com a atual administração americana.

A mudança acontece em um momento de questionamentos sobre a atuação da Meta no Brasil. Na terça-feira (20), o Comitê de Supervisão da companhia apontou “falhas recorrentes” na aplicação das regras de moderação durante períodos eleitorais e criticou o tratamento dispensado às contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

O órgão também cobrou maior transparência e consistência nas decisões envolvendo conteúdos políticos. As críticas se somam às denúncias de que medidas adotadas pela empresa poderiam prejudicar a campanha de Lula e beneficiar seu adversário, Flávio Bolsonaro. Até o momento, porém, as informações apresentadas não demonstram que a saída de Kaplan esteja relacionada a essas acusações.

Segundo comunicado da Meta, Kaplan permanecerá na companhia durante as eleições legislativas americanas de novembro e deixará suas funções em algum momento de 2027. Suas atribuições serão divididas entre Dina Powell McCormick, presidente e vice-presidente do conselho da empresa, e C.J. Mahoney, diretor jurídico.

Em declaração divulgada pela companhia, Zuckerberg elogiou o executivo e destacou sua participação na expansão internacional das plataformas. O empresário afirmou que Kaplan foi um defensor das políticas da Meta e também um amigo pessoal.

A saída representa uma mudança importante na estrutura de poder da empresa. Sob a influência de Kaplan, a Meta estreitou suas relações com o governo Trump. O próprio Zuckerberg passou a demonstrar maior proximidade com o presidente americano, participando de sua posse e de encontros com executivos do setor de tecnologia.

Kaplan assumiu a chefia de políticas globais em 2025, substituindo Nick Clegg, ex-vice-primeiro-ministro britânico. Antes disso, já exercia influência sobre decisões estratégicas da companhia, incluindo sua resposta a controvérsias envolvendo privacidade, moderação de conteúdo e interferência política.

Entre os episódios enfrentados durante sua trajetória está o escândalo da Cambridge Analytica, revelado em 2018, quando dados pessoais de usuários do Facebook foram utilizados sem consentimento para a elaboração de perfis eleitorais. O caso colocou em discussão o papel das redes sociais na manipulação de informações e no direcionamento de campanhas políticas.

A saída de Kaplan também ocorre durante uma reorganização da direção da Meta, que vem ampliando investimentos em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica. Apesar das mudanças anunciadas, a companhia não informou que a decisão tenha qualquer relação com as denúncias envolvendo as eleições brasileiras.