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Militantes contam como PMs tomaram camisas do PT para armar fraude de “ladrões petistas”

Três detidos usam camisetas vermelhas com referência ao PT em delegacia de Piracicaba
Três detidos com camisetas vermelhas alusivas ao PT em uma delegacia de Piracicaba. Foto: Reprodução

Militantes do PT acusaram policiais militares de Piracicaba (SP) de tomar camisetas pró-Lula antes de obrigar três jovens detidos em uma ocorrência de tráfico de drogas a usá-las ao levá-los à delegacia, na última quarta-feira (21). A Polícia Militar afirmou que investiga as denúncias sobre a conduta dos agentes.

Duas mulheres que trabalhavam na campanha disseram à deputada estadual Professora Bebel (PT) que os policiais chamaram o PT de “partido vagabundo” e Lula de “ladrão” durante a abordagem. Elas preferiram não se identificar.

Uma das militantes relatou que um policial exigiu as roupas ao acompanhá-las até uma casa para buscar documentos. “Tem mais blusa dessa?”, teria perguntado o agente. Após ouvir que havia apenas uma peça, ele teria respondido que precisaria de “umas três” e mandado uma delas tirar a camiseta que vestia.

Os três jovens chegaram à delegacia vestindo camisetas alusivas ao PT, em imagens divulgadas pelo então senador eleito Guilherme Derrite (PP). A publicação dele alcançou mais de 358 mil curtidas e quase 25 mil comentários, conforme o levantamento feito à época.

Testemunhas e famílias contestam versão sobre as camisetas

Testemunhas ouvidas no local disseram que os jovens não vestiam camisetas do PT quando a PM iniciou a abordagem. Uma delas afirmou que viu um rapaz de cinza, outro de moletom azul e boné, e um terceiro de bermuda jeans e camiseta branca.

A mãe de um dos detidos declarou que o filho é usuário de drogas, não traficante, e não atuava em campanha política. Ela também acusou os policiais de invadir sua casa, agredir os jovens e dar um soco no peito de sua filha de 14 anos.

A PM informou que recebeu, pelo telefone 190, uma denúncia de que três pessoas comercializavam drogas, usavam camisetas alusivas ao então candidato à Presidência e que uma delas estaria armada. Na ação, os agentes apreenderam um revólver calibre .32 com numeração suprimida, 160 porções de cocaína e R$ 340.

Dois homens, de 21 e 24 anos, foram presos, e um adolescente de 17 anos seguiu para uma unidade da Fundação Casa. Após audiência de custódia, o jovem de 21 anos deixou a prisão, enquanto o mais velho permaneceu detido; o caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba.

O PT pediu à Procuradoria-Geral da República que o Ministério Público Eleitoral investigasse a denúncia. Professora Bebel também apresentou representação à Corregedoria da PM, enquanto a defesa de um dos policiais sustentou que as acusações “não retratam adequadamente o contexto da ocorrência” e disse que apresentaria esclarecimentos às autoridades.