
A jornalista Adriana Araújo, da BandNews FM, fez uma dura crítica a Flávio Bolsonaro (PL) e atribuiu ao próprio senador a responsabilidade pela derrota para Lula (PT). Em comentário no programa Entre Nós, ela apontou uma sequência de contradições entre as promessas do candidato e sua conduta na campanha. “Flávio Bolsonaro é o único responsável pela derrota dele”, afirmou.
Para a apresentadora, os debates do segundo turno expuseram comportamentos incompatíveis com o discurso de respeito adotado pelo senador. Ela citou a promessa de oferecer um SUS com padrão do Hospital Albert Einstein, contrapondo-a à recusa de reconhecer a responsabilidade do governo Jair Bolsonaro pela demora nas vacinas e pela falta de oxigênio para vítimas da Covid-19.
Adriana também questionou a promessa de proteger as mulheres enquanto o candidato gravava vídeos e tirava fotos com quem nega a existência do feminicídio, em referência a Eduarda Campopiano e Lucas Pavanato. Ao tratar dos aposentados, apontou outra contradição: Flávio Bolsonaro dizia que não os prejudicaria, mas, na avaliação da jornalista, foi ao debate da Band preparado para cercar e intimidar Lula, um adversário idoso.
O deboche com o dedo amputado de Lula motivou uma das críticas mais contundentes. “Eu sou mãe de uma médica com sete dedos nas mãos”, declarou Adriana. A jornalista afirmou que Flávio Bolsonaro humilhou uma pessoa com deficiência e lembrou que qualquer cidadão pode nascer com uma deficiência ou adquiri-la ao longo da vida.
A apresentadora também criticou a postura do senador diante de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, menina morta por um tiro de fuzil. Segundo Adriana, ele teve a chance de se desculpar, mas escolheu defender o acusado em rede nacional. O policial, que teve Flávio Bolsonaro entre seus advogados, nega a autoria do disparo e aguarda julgamento.
Alguém traga um troféu pra Adriana Araújo:
“Flávio Bolsonaro é o único responsável pela derrota dele. Oferecia padrão Einstein no SUS, mas não reconheceu que o pai negou vacina e faltou oxigênio na pandemia. Dizia que protegeria as mulheres, mas gravava TikTok com quem nega o… pic.twitter.com/opAbquznNl
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) October 26, 2026
O contraste entre a tentativa de aproximação com o Nordeste e a atuação da campanha na região também entrou na análise. Adriana lembrou que Flávio Bolsonaro usou chapéu de vaqueiro e se apresentou como o carioca mais nordestino do Brasil. Em seguida, criticou um vídeo de Nikolas Ferreira com uma “cortininha preta”, que ela classificou como uma farsa e uma humilhação aos nordestinos.
“Essa foi a derrota da incoerência. A incoerência cobrou um preço muito caro nas urnas”, afirmou. Para Adriana, a disputa deixou de se concentrar apenas na economia e no empreendedorismo e passou a envolver valores e exigência de respeito. Ela avaliou que parte da sociedade admitia uma mudança de governo, mas rejeitou fazê-la a qualquer custo: “Podemos seguir por um outro rumo, mas não podemos retroceder”.
A jornalista também cobrou o presidente reeleito. Disse que Lula é uma figura histórica, mas não sai das urnas “ungido”: tem um “caminhão de dívidas” com eleitores que, mesmo críticos ao governo, se uniram contra o retrocesso. Ao encerrar, voltou a responsabilizar Flávio Bolsonaro pelo resultado: “É a derrota da incoerência. É a vitória do respeito”.
Lula foi reeleito para o quarto mandato presidencial no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o resultado final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).