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Lula não pedirá reconhecimento a Trump: vitória nas urnas basta, avalia Planalto

Lula Belém
O presidente Lula (PT) durante ato em Belém (PA). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a interlocutores que não procurará Donald Trump para explicar o processo eleitoral brasileiro nem pedir que o governo dos Estados Unidos reconheça sua reeleição. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que ouviu integrantes do governo sobre a relação com Washington após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL).

A avaliação no entorno do presidente é que uma iniciativa desse tipo poderia transmitir uma imagem de “fragilidade do governo”. Os interlocutores sustentam que Lula saiu fortalecido das urnas e não depende de um aval americano para governar.

Trump afirmou nesta quinta-feira (29) que conversaria com Lula. O presidente brasileiro aceita conversar com o americano, mas não pretende incluir a fuga de Flávio na discussão.

Flávio Bolsonaro Trump
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

Um diplomata ouvido sob reserva definiu o senador como “página virada” e afirmou que o governo não dará voz ao parlamentar. A orientação é ignorar o adversário derrotado, que passou a contestar o resultado eleitoral a partir dos Estados Unidos, sem apresentar provas de fraude.

O governo brasileiro pretende preservar a relação comercial e manter as negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa posição é mantida mesmo após o New York Times noticiar que integrantes do governo Trump ajudaram Flávio a deixar o Brasil. A expectativa relatada pela Folha é que a tensão diplomática não prejudique as tratativas comerciais.

Embaixada dos EUA chama vitória de Lula de “definitiva”

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de domingo (25). O relatório diplomático, enviado ao Departamento de Estado na segunda-feira (26), contrasta com as críticas do presidente Donald Trump ao processo eleitoral brasileiro.

O documento afirma que observadores internacionais não apresentaram dúvidas sobre o resultado e registra que Lula superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos. A representação americana descreveu a votação como majoritariamente pacífica, apesar de problemas de transporte e acesso a seções eleitorais em regiões do Nordeste e do Sul.