
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governo Lula já procurou o partido e admitiu uma relação “mais profunda” no quarto mandato do presidente. Em entrevista ao jornal O Globo, ele vinculou essa aproximação a uma sinalização ao centro e à adoção de medidas econômicas.
“Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, disse Kassab. Na avaliação dele, Lula precisa ampliar o apoio ao governo e honrar os compromissos sociais, mas também assegurar tranquilidade e equilíbrio fiscal. Para a condução da economia, citou pessoas como Antonio Palocci e Henrique Meirelles.
Questionado sobre a possibilidade de integrar o ministério, Kassab não descartou um retorno. “Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez”, afirmou.

A fala ocorre após Kassab abrir caminho para a participação do PSD no quarto governo Lula, na última terça-feira (27). Na entrevista, ele lembrou que a legenda comandou três ministérios no terceiro mandato sem se declarar oficialmente da base. Segundo o dirigente, em 2023 o partido decidiu que compreenderia eventuais convites do Planalto a seus filiados.
Ao analisar a eleição, Kassab atribuiu a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), entre outros fatores, à dificuldade de conquistar o centro. Disse que a escolha do senador dividiu esse eleitorado com Lula e que a proposta de mexer na Constituição, o linguajar e a postura nos debates afastaram apoios.
Para o presidente do PSD, o PT soube explorar o medo da volta do bolsonarismo. Ele também apontou as manifestações espontâneas nas ruas e a atuação digital do deputado André Janones (Rede-MG) como fatores relevantes na campanha. Apesar do resultado, afirmou que a polarização “ainda não foi quebrada”.