
Seis veículos para despistar a saída de Brasília, cerca de 1,6 mil quilômetros por terra e jatos de reserva na região da fronteira. Esses são alguns dos elementos da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos reconstituída pelo Clarín. A reportagem de Nicolás Wiñazki descreve uma sequência de manobras para ocultar o trajeto do senador, que deixou o Brasil após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Da recusa do jato ao trajeto por terra
A família pretendia inicialmente viajar de avião de Brasília até a tríplice fronteira. O plano mudou com a recusa do proprietário do jato contratado, após a divulgação de informações sobre restrições judiciais à saída de Flávio Bolsonaro do país. A alternativa foi percorrer por estrada o caminho até Foz do Iguaçu.
A viagem por terra também teria sido cercada de medidas de distração. O Clarín relata que seis veículos deixaram a residência da família em Brasília, um depois do outro, para dificultar a identificação daquele que transportava os passageiros. O percurso terminaria em Puerto Iguazú, no lado argentino da fronteira, onde o embarque internacional estava sendo preparado.
Na noite de terça-feira (27), uma van branca de vidros escurecidos chegou ao aeroporto de Puerto Iguazú diante de câmeras de televisão. A decolagem do Gulfstream IV de matrícula LV-JQW, com destino a Miami, reforçou a impressão de que Flávio Bolsonaro e a família estavam naquele veículo. A reconstituição do jornal, porém, aponta que eles teriam chegado cerca de uma hora antes.
🇦🇷🇧🇷 Momento em que uma van brasileira entra no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, minutos antes da decolagem do avião que levou Flávio Bolsonaro e sua família aos EUA.
Apenas as emissoras argentinas C5N e Todo Notícias acompanhavam o caso. pic.twitter.com/VQy2u28Y8m
— Eixo Político (@eixopolitico) October 28, 2026
O veículo que efetivamente transportava a família teria usado uma entrada reservada, com acesso direto à pista. Ainda segundo o relato, os passageiros embarcaram no jato e aguardaram aproximadamente 40 minutos pela autorização para decolar. A chegada posterior da van teria servido para desviar a atenção do deslocamento que já havia ocorrido.
Jatos de reserva e coordenação de bastidores
O planejamento não se limitava a uma aeronave. Pelo menos três jatos, possivelmente quatro, teriam sido contratados para oferecer saídas alternativas caso o plano principal falhasse. Os aviões teriam circulado pela região ou ficado posicionados para eventual uso, com uma das opções no Paraguai. Esses movimentos também dificultavam identificar o voo que levaria a família.
Agentes ou representantes dos Estados Unidos participaram da coordenação de parte dos deslocamentos e dos preparativos no aeroporto argentino. Com integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária e funcionários de imigração e alfândega tendo sido afastados das etapas conduzidas pelos estrangeiros.
Do lado argentino, Javier Milei enviou seu principal assessor, Santiago Caputo, de maneira confidencial à província de Misiones. A missão teria sido garantir as condições necessárias à saída de Flávio Bolsonaro.
O trecho aéreo levou Flávio Bolsonaro da Argentina aos Estados Unidos, com escala no Equador. O senador desembarcou em Miami na quarta-feira (28), no voo que partiu de Puerto Iguazú.
Neste sábado (31), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos Estados Unidos tenha ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil. “Não facilitamos nada”, afirmou. Rubio disse que Donald Trump autorizou a entrada do senador no país, mas negou participação do governo americano nos preparativos para a saída.