
Em um recado que contraria a posição de Nikolas Ferreira (PL-MG), o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), desafiou políticos que incentivam boicotes por divergências eleitorais a abrir mão de salários e benefícios. No vídeo publicado nas redes sociais no domingo (1º), ele argumenta que a estrutura que sustenta os parlamentares é financiada pelos impostos de trabalhadores e empresários de diferentes posições políticas.
Cleitinho não menciona Nikolas pelo nome e dirige a cobrança a políticos tanto da direita quanto da esquerda. “Abre mão do seu salário. Abre mão dos seus benefícios”, afirma. Ele cita auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-alimentação e verba de gabinete ao questionar a coerência de representantes que estimulam retaliações contra quem contribui para os cofres públicos.
A cobrança expõe uma divergência dentro da direita mineira. Nikolas defendeu que consumidores deixem de frequentar negócios por diferenças políticas, mas condenou a interrupção de doações a pessoas em situação de vulnerabilidade por causa do voto. A distinção foi apresentada depois de o deputado ironizar a perda de apoio ao Cozinheiros do Bem, projeto de distribuição de refeições em Porto Alegre.
As manifestações de Nikolas também motivaram um pedido de cinco deputados do PT à PF e à PGR para apurar sua participação nas campanhas de boicote. Os parlamentares relataram a circulação de listas de estabelecimentos e profissionais identificados como eleitores de Lula. O pedido de investigação não representa conclusão sobre a prática de crime.
Para defender a convivência entre eleitores, Cleitinho contou que uma mulher o abraçou em uma academia e revelou ter votado nele e em Lula. Segundo o senador, ela era cliente do varejão de seu pai, que nunca votou no petista. Mesmo com a divergência, continuou comprando no estabelecimento e, em um período de dificuldades financeiras, recebeu autorização para levar alimentos e pagar depois.
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A gravação começa com o repúdio à humilhação de uma criança por causa do voto da família. Identificando-se como político de direita e cristão, Cleitinho pede que outros representantes desse campo condenem a atitude. “Primeiro que a criança não vota”, ressalta.
O senador também recorda campanhas de boicote promovidas por setores da esquerda contra empresas como Ypê, Coco Bambu e Havan. Ao estender a crítica aos dois campos, sustenta que a cobrança deve se voltar aos próprios políticos, e não transformar divergências eleitorais em retaliações contra comerciantes.
Cleitinho encerra o argumento lembrando que os fundos eleitoral e partidário também recebem recursos de contribuintes de diferentes posições políticas. Antes, havia comparado a convivência entre eleitores à amizade entre torcedores de times rivais e questionado se o voto ou o clube de futebol definem o caráter de uma pessoa.