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Após proibição das bets, 84,3% das lojas de atacarejo têm melhora nas vendas

atacarejo vendas
Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Mais de 80% das lojas de atacarejo analisadas pela NielsenIQ registraram melhora no desempenho das vendas nas três semanas seguintes à proibição das bets no Brasil. Na semana encerrada em 25 de outubro, a recuperação alcançou 84,3% dos estabelecimentos do segmento. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (3) pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo.

Nesse recorte semanal, o faturamento do atacarejo subiu 7,8% e o volume de unidades comercializadas aumentou 2,4%, na comparação com o período equivalente de 2025. Nos demais canais do varejo, como supermercados, farmácias e lojas de conveniência, a parcela de estabelecimentos com melhora no desempenho foi de 56,9%. A diferença em relação ao atacarejo é de 27,4 pontos percentuais.

O estudo não estabelece que a proibição das apostas tenha causado a recuperação. Os resultados mostram que os dois movimentos ocorreram no mesmo período. Os 84,3% representam a proporção de lojas com melhora no desempenho, e não uma alta de 84,3% no faturamento do setor.

NielsenIQ
Foto: Arte/DCM

A análise utiliza um painel de 16.353 estabelecimentos distribuídos entre os diferentes canais, sem se restringir ao atacarejo. A metodologia compara o desempenho das mesmas lojas com períodos equivalentes de 2025 e acompanha faturamento, unidades vendidas e composição das compras. Os resultados também foram confrontados com 103 janelas históricas para dimensionar a intensidade da melhora.

O levantamento identificou ainda maior participação de produtos de preço mais elevado nas compras. Entre as semanas 36 e 43, o indicador de composição da cesta, chamado de mix, avançou 2,61% no atacarejo. O movimento apareceu com mais clareza nas categorias de refrigerantes e cervejas. Já o preço de uma cesta fixa de alimentos aumentou 0,65% no mesmo intervalo.

A divulgação ocorre em meio à disputa sobre a manutenção da proibição das apostas online. Nesta terça-feira (3), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu a continuidade da medida em audiência pública no STF, enquanto representantes de clubes de futebol alegaram perdas de receita e riscos a empregos com o fim dos patrocínios das bets.