Padilha rebate clubes e defende proibição das bets no STF: “Evita brigas e violência”

Atualizado em 3 de novembro de 2026 às 17:31
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em audiência no STF nesta terça (3). Foto: Reprodução

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu nesta terça (3), no Supremo Tribunal Federal (STF), dirigentes de clubes que defenderam a volta das bets e alertou para os efeitos da dependência em apostas sobre mulheres, famílias e a rede de saúde. O debate trata da medida provisória do governo Lula que proibiu as apostas online no país.

Representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Corinthians argumentaram que o fim dos patrocínios do setor ameaçaria receitas dos clubes e postos de trabalho. Padilha contrapôs a preocupação financeira aos relatos de pessoas afetadas pelo vício em jogos.

“Com todo respeito, eu ouvi um representante de um time de futebol que acabou de falar que a briga dele são os clubes, o salário, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres”, afirmou o ministro durante a audiência pública.

Padilha disse que 65% das mulheres consideradas nos dados apresentados por ele sentem vergonha de buscar atendimento de saúde, mesmo quando reconhecem a dependência das apostas. Ele também apontou o crescimento da procura por tratamento de ludopatia, transtorno associado ao jogo compulsivo.

Padilha ainda citou pesquisas que associam os jogos eletrônicos de apostas a um risco 15 vezes maior de suicídio, com impacto mais elevado entre mulheres. “A minha briga são as pessoas que se suicidam”, declarou.

“Certamente há outras soluções que podem resolver a briga do representante do time de futebol aqui. Eu quero trazer alguns dados que mostram, senhores, que a única e melhor solução para evitar brigas, violência é mantermos a proibição das bets”, prosseguiu.

Clubes alegam perdas de receita e risco de demissões

Pelo Fluminense, Mattheus Montenegro sustentou que o drama das famílias endividadas não deveria se sobrepor ao de trabalhadores que poderiam perder o emprego. Os dirigentes questionaram os efeitos econômicos da proibição sobre o futebol brasileiro.

O vice-presidente jurídico do Flamengo, Flávio Willeman, afirmou que o clube pode perder cerca de R$ 430 milhões por ano em receitas. Ele citou possíveis consequências para os 1.200 funcionários do time carioca.

O ministro Luiz Fux convocou a audiência para discutir a constitucionalidade da MP 1.394/2026, editada pelo governo federal em setembro. A norma proíbe a exploração de apostas de quota fixa e determina o encerramento das autorizações concedidas às empresas do setor.

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